Tempo interior (e as pessoas stressadas)

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Fotografia @ Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Cada vez mais, vivemos num mundo louco, onde as pessoas têm pressa para tudo, não sabem esperar, querem tudo para ontem. Muitas vezes, esse «ontem» já é tarde demais.

Hoje, tive de fazer compras no supermercado. É uma grande superfície. Normalmente, está cheia de pessoas apressadas e stressadas. O pior é enfrentar a fila da caixa de supermercado. As pessoas correm para a caixa com a fila mais pequena e, de repente, aparece uma grávida, alguém com necessidades especiais e, como é lógico, estes cidadãos têm de ter atendimento prioritário. O ambiente na fila piora, a maioria das pessoas fica com o semblante cada vez mais carregado e, certamente, pensam que deviam ter escolhido outra fila.

O pior mesmo é no fim, quando estamos a arrumar as compras dentro dos sacos e ainda a tratar do pagamento. Olhamos para o lado e vemos que temos o próximo cliente ao nosso lado, pressionando-nos para nos despacharmos. Às vezes, é preciso ter muita paciência. Já me aconteceu chamar a atenção a alguém que estava mesmo ao meu lado, invadindo a minha privacidade e o meu espaço pessoal. Educadamente, disse-lhe que ainda não tinha acabado e foi o caos. A mulher começou a gritar e disse que eu a estava a acusar de roubar as minhas compras. Desde esse dia que evito fazer as minhas compras em horas de ponta, mas, às vezes, é difícil.

Hoje, mais uma vez, uma senhora estava mesmo ao meu lado quando estava a fazer o meu pagamento. Decidi respirar fundo, contar até dez e não dizer nada. Cada vez mais me convenço que não vale a pena correr contra o tempo. Temos de aprender a lidar com as pessoas apressadas e stressadas de modo a que não invadam a nossa paz interior.

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LAURA MONTEIRO, a dançarina
Gosta da vida. Ama a pureza da neve. Prefere viver escondida das pessoas para não sofrer desilusões. É coleccionadora de corações. E, por falar em corações, às vezes sente que de tanto bater o seu coração vai parar de repente. É hipersensível e lamechas. Adora dançar. Vive numa ilha. Sente que, às vezes, é difícil viver rodeada de mar e, por isso, tem saudades de viver rodeada de terra firme, montanhas ou betão. O seu apelido é Montero (e não Monteiro) porque tem raízes sul-americanas. Gosta de viver, simplesmente. Às vezes, a vida surpreende-a com alguns acasos e algumas loucuras.