O que fazer no fim de um relacionamento?

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Fotografia @ Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

O fim de um relacionamento é sempre um momento difícil, em que nos sentimos vulneráveis, tristes e, por vezes, reativos. Não acredito que exista um tempo definido para recuperarmos do fim de um relacionamento. Para algumas pessoas podem ser semanas ou meses. Para outras, podem ser anos.

Temos a tendência de julgar o nosso tempo, porque achamos que já deveríamos ter recuperado. Achamos que já não deveríamos sentir dor e, por vezes, até sentimos alguma vergonha e culpa por continuarmos agarrados a eventos mais distantes. Contudo, quando tentamos esconder estes sentimentos, apenas estamos a facilitar que estes se intensifiquem. Acredito que o tempo de recuperação do fim de um relacionamento é proporcional ao mergulho autêntico que cada um de nós faz sobre as suas feridas, e sobre a alteração da perspetiva com que vê esse relacionamento.

Nos últimos meses, são várias as pessoas que me têm procurado para as ajudar com um processo de «luto», em relação ao fim dos seus relacionamentos. Sentem que ainda estão agarradas a determinados eventos ou pessoas, o que as impossibilita de avançar e de recuperar a sua essência, a sua paz e até quem sabe dar espaço para que cresça um novo relacionamento, mais saudável, mais simples.

Acredito de coração que a essência da nossa alma é sermos livres, vivermos num estado de amor e de alinhamento. Isto está reservado a cada um de nós, não é apenas para alguns. A chave para o alcançar está dependente da qualidade do mergulho interno que decidimos fazer. Isto é: se escolho mergulhar, em cada camada minha, em verdade. Verdade para comigo. Para mais ninguém a não ser comigo. Por isso, quando falamos em libertar a mochila ou em olhar para o passado com outra perspetiva, é engraçado como algumas pessoas sentem isto como um processo denso e pesado. Eu acredito noutra possibilidade, noutra forma. Acredito que essa libertação é possível através do uso de uma das ferramentas mais importantes que nós temos. O nosso coração. 😊

Hoje, deixo aqui algumas dicas que te podem ajudar a libertar do fim de um relacionamento ou de um evento, pessoa, que ainda te prenda.

  1. Fala a verdade com os teus sentimentos.

Um dos passos mais difíceis de darmos, no final de um relacionamento, passa por aceitarmos que, apesar de estarmos magoados, tristes e desiludidos, ainda amamos a pessoa, ainda sentimos carinho por ela. É importante não lutar contra estes sentimentos e simplesmente aceitar cada um deles, sabendo que, quando deixamos de lutar, damos lugar a um sentimento de paz. Por isso, começa por reconhecer o que sentes, valida isso e aceita como um processo natural. Não estás a ser fraco ou a não avançar. Estás apenas a dar uma oportunidade para que o teu coração fale a verdade.

  1. Liberta-te da expetativa.

Um dos grandes desafios que se experiência, no final de um relacionamento, está relacionado com a expectativa de a pessoa voltar atrás, de voltar a tentar, de ligar, etc. A expectativa é uma das sensações que mais nos mantém ligados ao passado e à pessoa. É importante dar espaço para que o teu coração possa recuperar, e isso implica tentar diminuir o contacto com ela. Lembra-te da importância de protegeres o teu coração, a tua ferida. Se essa ferida está aberta, porquê a expor continuamente às lembranças, ou a contactos com essa pessoa? Isso só faz com que a tua ferida aumente, e, por consequência, o teu sentimento de amor por ti diminua.

  1. Descobre o propósito.

Quando estamos ligados a um relacionamento ou a um evento que já terminou, estamos agarrados ao problema, à dor que este nos permitiu viver e experienciar, estamos ligados unicamente ao que aconteceu. A nossa mente precisa de ser direcionada para uma solução. Caso contrário, ela vai continuar a dar a mesma resposta.

Esta é uma crença profunda que eu tenho. Acredito de coração que todas as pessoas, que entram na nossa vida, entram com um propósito. Aquelas que deixam uma maior ferida são aqueles da qual resulta a maior aprendizagem. Quando estamos feridos e magoados é difícil escolhermos ver esta possibilidade, percebo isso. Mas a resposta a esta questão leva-nos a direcionar a nossa mente para o futuro. Permite que o processo de cura comece, que nova energia entre dentro de nós e que comecemos a seguir em frente. Sempre em verdade para connosco e para com aquilo que estamos a sentir.

Espero, de coração, que este artigo te ajude.

Um beijo enorme

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LÍGIA SILVA, a coach
Ela é autêntica, mulher e, acima de tudo, humana. Adora falar e escrever de coração para coração. Tem como principal paixão a descoberta da mente humana e adora que esta viagem seja feita com sentido de humor e com uma boa gargalhada. Acredita na simplicidade da vida e na possibilidade de cada um de nós fazermos aquilo que mais nos preenche.