Um desafio maior

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Fotografia @ Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Como é que sabemos? Como é que temos a certeza de que é o momento certo? Qual é a altura propícia para duas pessoas, que se amam, darem o passo seguinte? Construir um lar em conjunto. Juntarem as escovas de dentes e os trapos, por tempo indeterminado. Quiçá, para o resto das suas vidas. Como saber, se não estamos a dar um passo em falso? Que não nos estamos a precipitar?

Não se sabe, eu sei.

É impossível saber, com plena segurança, que aquele momento, ou outro qualquer, é o certo. São tantas as variáveis a ter em conta, tanto a favor como contra. São todas mensuradas a expetativas e sonhos. Todas baseadas na esperança. Não existe nenhuma ciência exata, nem fórmula mágica, que permita uma avaliação infalível. Mas dava jeito.

Não conheço nenhum vidente ou bruxo, que possamos consultar, para que nos diga o que nos aguarda, caso avancemos. Por isso, só tentando, não é?

Um só tecto e despesas a dividir. Tiques e manias a conviverem diariamente. Dois seres distintos a construírem um futuro comum. Partilhar o dia-a-dia e a sua rotina. Testar o amor nas decisões e discussões. Saber que não podemos simplesmente fugir para casa, de cada vez que embatermos num obstáculo. Ou só porque nos apetece respirar. Porque a nossa casa é a mesma que a do outro e, venha o que vier, teremos que o encarar juntos.

Como se sabe que estamos prontos para isso? Como ler os sinais, as dicas que a vida nos dá? Quais as que, realmente, temos que ter em conta?

Talvez analisando as coisas de outra perspetiva. Perguntarmo-nos se conseguimos imaginar o nosso futuro sem essa pessoa ao nosso lado, sem a ter por perto. Se sentimos a necessidade de evoluir enquanto casal. Se queremos mais, mesmo que isso signifique um compromisso maior.

Mas, lá porque respondemos sim a tudo, não quer dizer que não tenhamos dúvidas e medos. Afinal, estamos a apostar todas as nossas fichas num desafio maior. Se não é o maior, é, definitivamente, um dos maiores.

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ANA PEREIRA, a inquieta
Nasceu numa noite estival, mas tem alma outonal. Convive com os números, mas encontra refúgio nas palavras. Aparenta serenidade, mas governa-a uma mente deveras inquieta. Se lhe perguntarem, é assim que se define a si própria. Aliás, estas foram palavras dela.