Quem nos pertence fica aqui

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Fotografia @ Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Apetecia-me dizer-te para não partires. Apetecia-me dizer-te para voltares. Mas como é que se pede a alguém para ficar, se sabemos que esse alguém é uma parte de nós? Que palavras posso inventar para ensaiar uma despedida? Que versos faço, para te cantar um regresso, se eu sei que quem nos pertence não parte, nem volta? Quem nos pertence apenas fica aqui. Este é o teu lugar. Nenhuma tempestade te pode levar.

Apetecia-me pintar a vida de outra cor. Redecorar os nossos dias. Só que, entretanto, descobri que viver contigo já é tão colorido que não há mais cores por inventar. Apenas poderemos misturá-las e gerar tonalidades diferentes, que nos poderão criar a ilusão de que todas as horas são diferentes. A nossa vida é um arco-íris tão perfeito que se tornou a imperfeita lata de tinta de que ninguém consegue saber a cor, e é com ela que desenhamos sorrisos um no outro.

Viver contigo é viver num mundo multicolorido. Somos tão diferentes um do outro que nos tornamos iguais. Tão iguais que nos completamos nos defeitos e nos ajustamos nas qualidades. Tens tudo o que me falta e a mim sobra-me tudo o que te ofereço sem que me o peças.

Quem disse que, no amor, não pode existir perfeição? Somos tão imperfeitos que o amor nos moldou na perfeição. Vejo-me no espelho da tua alma e sinto-te na voz do meu coração. Caminho com as asas dos teus sonhos e tu pisas os meus medos para que eles não me atormentem. Como vês, somos o retrato feito pela mão do amor. Esta foto real onde os sentimentos se expõem sem recorrer a photoshop. Nada mais precisamos, do que pedir à vida que nos dê tempo para viver e deixar o destino acontecer.

Apetecia-me implorar-te para ficares, mas tu nem sequer queres partir, portanto deixa-te ficar por aqui.

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ANGELA CABOZ, a miúda gira
Nasceu em Tavira há 49 anos. Desde a adolescência que é uma apaixonada pela leitura, pela escrita, pelo cinema e pela música. Escreve sobre sentimentos e, nas palavras, reflete a maneira de ver e de sentir o mundo. Em 2014, realizou um sonho: a publicação do seu livro «À procura de um sonho». Desde então, tem participado em várias obras coletivas.