Escutar o coração

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Fotografia © Allef Vinicius

Procurei-me, em vão, entre o vazio e a solidão. Num labirinto de emoções, num mundo de sensações… ocas. Gritei o teu nome em silêncio. Procurei um sinal de ti. Embora não soubesse como exprimir o que se passava, só sabia que precisava do teu abraço e de te dizer tudo através dos nossos olhos. Aquela forma como tão bem comunicamos, um com o outro, sem dizer uma única palavra.

Pedi-te que desses sentido a esta viagem, que me fizesses acreditar que esta luta não é em vão, que tatuasses no meu peito a palavra coragem (aquela que me fez chegar até aqui). Mas, ao mesmo tempo, não te quis mostrar sinais de fraqueza. Afinal, tenho de ser o teu farol… o teu guia. Mas o que fazer quando a luz esmorece? E para que queres tu um farol fundido?

Devolveste-me a esperança ao responderes que serei sempre o teu porto de abrigo, que irás inventar forma de devolver o brilho ao meu olhar. Que, no fim desta etapa, tudo vai fazer sentido, que vou encontrar terra firme onde pisar, que tudo não passa só de uma fase. Que, em breve, vamos estar a rir das nossas tolices, a imaginar o que estará para lá do horizonte, a tentar adivinhar quantas estrelas existem no céu, a esquecer tudo à nossa volta enquanto a lua nos observa lá do alto e se torna na nossa fiel confidente.

Ajudas-me a aceitar (sem aceitar) este estado de embriaguez sentimental e, em paz, a encontrar a solução para o ultrapassar. Mostraste-me que, apesar de ter corrido o mundo à procura de certezas, de plenitude, de paz, do meu lugar ao sol (coisas que só descobri em ti), só precisava de olhar à minha volta e escutar o meu coração.

Cansado de tanto sofrer, refugiei-me no teu e por ali fiquei…

Enfim, encontrei-me.

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CARLOS MIGUEL LOPEZ, o aviador
Ele é um rapaz aventureiro, lutador e meio... bem... despassarado. Gosta da natureza, de explorar, de viver e sobretudo do mar, onde encontra o seu «eu» e a sua inspiração. Adora também voar e sentir-se livre. É um aviador porque não consegue estar com a cabeça num só lugar.