I wished you upon a star

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Fotografia @ Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Desejei-te sob uma estrela cadente. De olhos fechados, com as mãos sobre o meu peito, respirei fundo. Não imaginei nenhum rosto. Apenas senti. Inundei-me de amor. Deixei-o resvalar, emanar do meu ser, na esperança que me levasse ao encontro de alguém que fosse também capaz de sentir assim.

Desejei-te mesmo sem saber quem tu eras. Esperei-te nas horas. Procurei-te nos dias.

Caminhei tantas vezes por estas ruas, tentando reconhecer-te nas caras que passavam por mim. Como se tivesses algo em ti, uma marca, que te identificasse. Olhei tantas vezes para o vazio ao meu lado, tentando imaginar alguém ali.

O tempo passava e o frio começou a tomar conta mim. O coração enregelou-se. Fechou-se como uma flor a quem lhe tiraram a luz do sol. Tornara-me num lugar sombrio. Desistira de te encontrar.

Porque demoravas tanto?

Tenho para mim que o coração é um puzzle. Cada peça tem o seu lugar, cada peça uma função. Os tamanhos podem variar, o número de peças também, afinal cada coração é diferente. Todas as peças juntas faziam-no funcionar em pleno, mesmo que o conceito de pleno fosse subjetivo. E o meu coração há muito que batia descompensado porque aquela peça era fundamental e, no entanto, mantinha-se fora do lugar. Precisava de ti para a por de volta no sítio.

Acreditava que merecia o amor porque era capaz de amar. Se tinha esse dom em mim, porque havia de o manter guardado? Então, ergui a cabeça quando me apetecia mantê-la baixa e arrisquei novos caminhos.

Desejei-te sob uma estrela. Pedi à vida. Pedi a Deus. Não interessa a quê ou a quem. Só sei que desejei. E tu chegaste. Demoraste, mas chegaste.

Quando olho para o lado, o lugar já não está vazio. Quando vejo para dentro de mim, já não falta uma peça. O meu coração está a funcionar na sua plenitude.

Já tenho a quem dar o meu amor e quem mo dê a mim. Valeu a pena a espera. Ainda bem que não desisti de procurar, por entre os rostos que passavam por mim. Afinal, eras um deles.

E como diz aquela música do filme o Pinóquio:

«When you wish upon a star
Makes no difference who you are
Anything your heart desires
Will come to you
If your heart is in your dream
No request is too extreme
When you wish upon a star
As dreamers do…»

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ANA PEREIRA, a inquieta
Nasceu numa noite estival, mas tem alma outonal. Convive com os números, mas encontra refúgio nas palavras. Aparenta serenidade, mas governa-a uma mente deveras inquieta. Se lhe perguntarem, é assim que se define a si própria. Aliás, estas foram palavras dela.