Gosto do mundo, da vida e gosto de mim!

Fotografia @ Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

E, depois de ter vivido quatro décadas, mais um ano e uns meses, posso afirmar que gosto de mim e gosto do que vejo ao espelho. Penso que é bastante comum a mulher mais jovem encontrar 1001 defeitos em si. Num momento em que tem uma pele perfeita, sem rugas e sem manchas, um corpo que apresenta poucos traços de celulite ou da idade, a mulher é capaz (e eu era capaz) de encontrar um sem número de imperfeições em si. Contudo, à medida que entramos na terceira década vamos perdendo, ou, pelo menos, eu fui perdendo esses “mimimis” de mulher mais nova e tornando-me, gradualmente, mais mulher. Quando cheguei aos 40, assumi-me como a mulher que sou, com as qualidades e defeitos que aceito sem complexos.

Já não tenho a pele de outrora. É um facto. Tenho manchas nela que não aceitei logo quando se instalaram. Contudo, percebi que fui adquirindo uma serenidade no rosto que suaviza aquelas que são as marcas do tempo. O olhar, esse, não envelheceu. Mantém-se vivo, com uma certa travessura e uma luz de desafio para com a vida. A voz foi ficando gradualmente mais rouca. Pareço um velho carroceiro, mas quero acreditar que isso me acrescenta sensualidade! Aceitei, finalmente, que sou, como diz o meu pai, uma «pequena natureza» (um metro e meio de gente!). E, por ter aceitado a minha altura, sinto-me tão bonita e feminina num salto alto, como num ténis ou num chinelo. Sinto-me bem na minha pele porque faço exercício físico para, assim, lutar contra o passar do tempo que nos vai fazendo perceber o peso da gravidade. E sinto-me bem na minha pele porque exercito a minha mente: leio, escrevo, vou ao cinema, procuro maravilhar-me com a eterna novidade de tudo o que me rodeia.

Os defeitos que habitam em mim, desde que sou gente, continuam por cá como velhos companheiros. Continuo com péssimo acordar. Continuo a parecer um camionista irado quando estou na estrada a conduzir. Continuo a ser briguenta sempre que me surge pela frente uma causa pela qual me parece valer a pena brigar. Mas sei que essas brigas são feitas de forma mais contida. Percebi que não é necessariamente aquele que fala mais alto, aquele que terá mais razão. Aprendi a tirar o melhor partido de tudo o que me rodeia e aprendi que em todas as situações menos boas encontramos, ainda assim, algo de bom. Aprendi que o mundo não é perfeito, mas que há muita coisa perfeita (uma paisagem alentejana, um dia de neve na Serra da Estrela, um por-de-sol na praia e o sorriso daqueles que amamos são apenas alguns exemplos).

Aprendi, ao observar o mundo imperfeito, que eu não sou perfeita, mas que possuo alguma perfeição: aproveito a vida a mãos cheias, procuro vivê-la a 100%, procuro ser feliz. E sei, porque também aprendi, que a felicidade é o que nos torna um pouco mais perfeitos, mais bonitos e atraentes.

Por tudo isto digo: gosto do mundo, da vida e gosto de mim!

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ESTEFÂNIA BARROSO, Steff — a alma sonhadora
Professora. Gosta de verão e de calor. Gosta de animais — sobretudo, de gatos. Gosta de uma boa história. Por isso, gosta de cinema e de literatura. Apreciadora de café porque precisa e de vinho porque merece. Sonhadora, sempre. Acredita, como diz o poeta, que «O sonho comanda a vida». Tem um blog: «Steff’s World – A soma dos dias».