Tem sido difícil a vida sem ti

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Fotografia @ Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Tem sido difícil. Difícil comprovar que continuo a cair nos mesmos erros, a falhar nas mesmas coisas. Significa que ainda não aprendi. Refiro-me a ti. Ou, melhor, a nós. Tentei ser racional, no início, para evitar passar pelo sofrimento que outrora sentira. Evitar o inevitável. Mas o amor não escolhe data, momento, lugar, pessoas ou coração.

E eu, a mulher que se diz racional, tem tanto de sentimento, de coração, de emoções. E ainda acredita em amor verdadeiro. Não acreditava… Até voltar a sentir o coração a mil, até corar quando há qualquer ligação contigo, até desejar a todo o momento um telefonema, uma videochamada, uma mensagem, uma fotografia… Qualquer coisa que atenue a nossa distância.

Mas o que é isto do amor? Quantas coisas estamos dispostos a fazer por amor? Se calhar, não é amor… É apenas uma vontade momentânea de dar brilho aos nossos dias. Porque, na realidade, bem sabíamos à partida do fracasso de tudo isto. E, ainda assim, eu não consegui evitar.

O mais difícil para mim — mais difícil do que estar a sofrer por não te ter na minha vida — é saber a leveza com que deixaste de fazer parte dela. Pouco a pouco, desapareceste por completo. Nem uma mensagem, nem um telefonema, nada! Sabes bem que foi um processo consciente da tua parte. E eu apercebi-me e nada pude fazer.

Aliás, sei que fui eu que te afastei. Porque eu sei fazer isso tão bem. Da mesma forma que cativo as pessoas, tenho uma capacidade enorme de as afastar. Porque eu sou genuína, dou-me por inteiro e sinto muito, sem filtros, sem máscaras, sem rodeios. E isso assusta! Mas eu não sei ser de outra forma.

Mas, se já sabias que não podias, ou querias, estar na minha vida, porque quiseste entrar? Dar-te a conhecer… Conhecer-me! Quiseste tanto conhecer-me, desvendar-me entrelinhas, descodificar-me pela voz, saber-me pelas expressões. E só tu sabias ler-me o olhar, os silêncios, as mensagens ocultas nas palavras. Tu, como ninguém, conseguiste confortar-me a alma. Sabes quantas pessoas o conseguiram fazer até hoje?

Sempre fui independente. As circunstâncias da vida assim me têm exigido. E pensei que seria difícil deixar alguém fazer parte dos meus dias, em todos os aspetos da minha vida. Mas contigo todo esse processo foi natural. E habituaste-me de tal forma à tua presença, ao teu carinho, aos teus conselhos, que é por isso que, agora, é tão difícil.

Sabes bem a sensação de proteção e de conforto que me davas. E que, agora, não tenho. E tanto que tenho desejado o teu abraço — apertado, quente e envolvente, que me dizia em silêncio que tudo vai ficar bem. Bastava o teu abraço.

Novamente, sozinha. Tem sido difícil!

Têm sido difíceis os meus dias sem ti. Tem sido difícil a minha vida sem ti.

E eu só desejo forças para não te escrever, para não te querer, para não te sentir.

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.