Deixa-me entrar

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Fotografia @ Pixabay

Abre as portas e deixa-me entrar: quero conhecer esse teu mundo. Quero perceber o que escondes aí, aquilo que te faz fraquejar. Pedes-me para sair, mas não deixas de me segurar. Fico perdida entre os teus braços. Recuo quieta, dentro de mim, mas deixo-me ficar. Sei que, neste momento, não suportarias as minhas palavras. Também não suporto este silêncio, mas não posso ausentar-me agora. Espero que regresses, por inteiro, a este abraço.

Recosto a cabeça no teu peito e tento absorver, desesperadamente, algum calor. Mas não consigo – algo me diz que estás vazio. Vazio de mim, sozinho, dentro dos teus medos. Inspiras dúvidas e absorves incertezas. Porque fazes isto connosco? Não percebo o que te falta no meu corpo. Não percebo, mesmo, no que falto. Sinto-me um nada, mas ainda te sinto cá.

Vá lá, aperta um pouco mais os braços e fica comigo: deixa-me entrar.


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ANA LÚCIA, a menina
Ana Lúcia é a menina que conta histórias, a mulher que não desiste de ser criança. No fundo, é isso mesmo – simples assim. Uma menina que se desdobra em personagens. Uma menina que se encontra nas letras. Uma menina que não desiste de sonhar.