O melhor ainda está para vir

Texto vencedor | Desafio «É preciso parar!»

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Fotografia @ Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Habituei-me a ver-te cirandar por esse mundo fora. Nesse teu mundo, onde tudo flui à velocidade da luz, onde não tens mãos a medir para tudo e todos ao mesmo tempo. Onde o tempo para um café tem de ser contado ao segundo. Onde os ponteiros da vida marcam cada movimento, cada lugar, cada viagem, cada pessoa, cada passo, cada destino… E, por vezes, esse relógio rouba o teu tempo, a tua saúde, as tuas decisões, as tuas escolhas, o tempo para seres quem és — o que, por vezes, afasta quem se preocupa contigo, quem te quer bem e gosta de ti.

Afinaste o relógio dessa maneira desde que sofreste. Desde que os teus planos, os teus desejos e sentimentos foram destruídos por alguém. Achaste que não parar era a solução para não voltares a sentir essa dor e que o melhor seria viver no limite: para o teu trabalho, para os teus hobbies e para o que consideras ser «viver para ti».

Não é aquilo que fazes que está errado, mas sabes que a vida não espera por nós.

E tu percebeste isso. Abrandaste e, finalmente, paraste.

Para te abasteceres de sonhos. Para substituíres velhos sentimentos de insegurança por novas ambições. Para alinhares o teu caminho, abrires novos horizontes e, finalmente, afinares a tua essência.

Agora, olha à tua volta, relaxa… Aprecia cada segundo, vive cada momento, sente cada instante. E vais reparar que, a cada dia que passa, o caminho pode ser o mesmo, mas nada é igual. As folhas da árvore no fundo da rua começaram a mudar de cor. A vizinha tem um cão irrequieto. A bebé da Carolina já anda. O sol já se pôs. E eu estive sempre aqui à tua espera.

Não podes mudar as escolhas, nem os caminhos que fizeste no passado. Mas podes definir, no aqui e no agora, o teu futuro. E, quando decidires levantar-te daí, eu vou dar-te a mão, ajudar-te a levantar e caminhar lado a lado, com calma… sem pressas.

Sorri. O melhor ainda está para vir.

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CARLOS MIGUEL LOPEZ, o aviador
Ele é um rapaz aventureiro, lutador e meio... bem... despassarado. Gosta da natureza, de explorar, de viver e sobretudo do mar, onde encontra o seu «eu» e a sua inspiração. Adora também voar e sentir-se livre. É um aviador porque não consegue estar com a cabeça num só lugar.