
Há um imensidão nestas conversas. Há um dizer tanto e um tanto a dizer. As palavras que querem dizer tanto, por vezes, saem trôpegas, tropeçam na urgência em querer explicar, em querer dar sentido à turbulência do eu; a confusão do tudo e do nada interno. Fazem pensar, por em causa; esbarrar contra a parede a verdade mentirosa que nos vai toldando o espírito. Essa que nos isola, que nos fecha as portas, que não nos mostra saídas.
Estas conversas querem dizer tudo. E o tudo é o que vamos descobrindo sobre nós. Tudo o que sempre fomos, e não era percetível, estas conversas colocam a nu. O tudo que não sabíamos e que se torna tão cru, tão real, que quase saímos do eu antigo e podemos tocar no novo eu que vamos conhecendo. Sentimos um arrebatar quando o conhecemos. Como se nos tivesse sempre acompanhado na caminhada que é a vida.
Sempre lá estivera na verdade. Mas, oculto nos nossos medos, nos nossos anseios, nas nossas inseguranças e nas nossas vergonhas, lá estava esse companheiro de nós mesmos à espera de emergir para nos ensinar que a vida é uma aprendizagem. Que a vida comporta mais do que estamos habituados a ver. E este ver aprende-se. Aprende-se nestas conversas cheias de significado. Aprende-se quando rasgamos o papel de parede escuro e bolorento, que conhecemos de cor, e nos atrevemos a olhar para dentro de nós. Para as possibilidades, que encerramos em nós, que não mais escondemos.
Porque estas conversas ajudam, sim. Mesmo quando não é dia de ter conversas.
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