Não é um adeus. É um até já!

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Fotografia © Carina Maurício | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Tempos difíceis requerem ação. Implicam mudança e tomada de decisões. Não pensem que é fácil. Não é cobardia. Não é fugir aos problemas, embora eles sejam a alavanca para a mudança. Porque ninguém merece sofrer devido à injustiça das pessoas. Mas não é esse o ponto principal. Para mim, mudar, partir para o desconhecido, ir em busca de melhor, requer coragem. Muita coragem! Era bem mais fácil ficar. Mas e os meus sonhos? A minha felicidade?

Hoje é o dia da despedida. E não é fácil, após 6 anos, abandonar aquilo que conhecia nos meus dias. Mas, após 6 anos a morar em Castelo de Vide e a trabalhar no concelho de Marvão, ambos no Alto Alentejo, chegou a hora de mudar de ares. Preciso desta mudança. Por vezes, para voltarmos a viver precisamos de novas rotinas, novas pessoas, novos trabalhos.

Posso arrepender-me. Mas prefiro o arrependimento do tentar à dúvida do ficar… E eu sou de ciclos, sou do mundo, sou de aventuras e de novas experiências. Preciso disso para me sentir realizada.

Após 6 anos, é hora da despedida. Aqui, fui muito feliz, mas também sofri muitas vezes em silêncio. Aqui, fiz grandes amigos para toda a vida, mas também inimigos sem razão para tal. Aqui, sorri muito com aqueles que me querem bem e chorei outro tanto em momentos difíceis. Aqui, aprendi imenso e cresci mais ainda.

Vou com dever de missão cumprida no trabalho que realizei com conhecimento, alma e, sobretudo, coração. Se não fiz mais e melhor foi porque não sabia. Sei que o meu contributo fica para as gerações futuras e nada é mais gratificante.

Vou de consciência tranquila. Acima de tudo, vou mais crescida, mais madura, menos ingénua. Bem diferente de como aqui cheguei há seis anos. Com a certeza de ser uma pessoa melhor, sobretudo para mim própria.

Hoje é o dia da despedida. De todos.

Daqueles que preferiam que nem tivesse vindo. Mas, principalmente, daqueles que me querem bem, que me acolheram, que estiveram ao meu lado. Daqueles que me deram carinho sem me julgar, com verdadeira amizade. Vocês sabem bem quem são. E, por isso, com um aperto no coração, digo um até já.

Todos, sem exceção, foram importantes no meu percurso por cá. E só tenho a agradecer cada aprendizagem. Cada momento que me tornou mais forte, mais decidida, com mais personalidade. Que me tornou mais eu.

Não consigo descrever melhor aquilo que Antoine de Saint-Exupéry escreveu no Principezinho: «Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas… Cada um que passa em nossa vida passa sozinho, pois cada pessoa é única, e nenhuma substitui outra. Cada um que passa em nossa vida passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito; mas não há os que não levam nada. Há os que deixam muito; mas não há os que não deixam nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente que duas almas não se encontram ao acaso.»

Não é um adeus. É um até já. Porque os verdadeiros amigos vão sempre connosco, no coração.

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.