
Nesta folha em branco, escrevo estas primeiras palavras com uma dor forte no peito. O coração bate e cada batida é uma lágrima caída nesta pele pálida de tanto pensar.
Este lugar, onde escrevo, fica vazio quando pela porta do quarto sais e só voltas de manhã, já cansado. A criança dorme ao meu lado, o seu perfume de bebé continua a ser o mesmo, apesar de já ter cinco anos. É, principalmente, por ela que ainda estou aqui a lutar por uma relação já esmorecida pelo tempo, pelos nãos, pelas incertezas, pelo esgotamento dos ideais.
A tua teimosia irrita. No entanto, é essa mesma teimosia que ainda me faz vibrar sempre que observo profundamente os teus olhos cor de mel. Tens consciência de que gosto de desafios e que não desisto facilmente de uma pessoa ou coisa que, verdadeiramente, amo. Por isso, ainda me consegues surpreender.
Quero ficar aqui e ser feliz. Quero continuar contigo e com o nosso rebento, nem que para isso tenha que dar volta ao Universo e encontrar-me com as almas perdidas no espaço vácuo.
De todos os amores e paixões que tive, típicos de uma miúda com tendência a relações fáceis, tu foste aquele que escolhi para ser Pai da minha Filha. Se pensas que foi um acaso, estás enganado. Não acredito em coincidências, mas sim na força do destino. Na força dos espíritos e de Deus. Ah! Estás convicto (ou assim parece…!) de que Deus não existe. Mas existes TU e EU e ELA – para mim, basta que acredites, principalmente, em NÓS. Eu cá me entendo com Deus.
Portanto, ainda não é tarde para recomeçar. Nunca é tarde.
Assim o queiramos.




