Estou aqui. Vens?

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Fotografia © Carina Maurício | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Meu querido…

Sim, hoje quero chamar-te assim. Como tu me chamas «minha querida».

Meu querido, hoje, sonhei contigo. Adormeci a olhar para a última fotografia que me enviaste. Estavas tão lindo. Como sempre. Mesmo naquelas fotografias em que fazes caretas. De cada vez que as recebo, fazes-me esboçar um sorriso tonto. Um sorriso tonto de quem está apaixonado.

Não queria sentir estas coisas. Não de novo. Prometi a mim mesma que tão depressa não me apaixonaria. Mas não controlamos o coração, pois não? Questiono-me realmente se é amor. Quero descer à terra, ser racional e decidir que é só uma atração. E que vai passar. E se não passar? Tenho medo de voltar a sofrer. Mas há coisa melhor do que sentir o que estou a sentir?

De repente, os dias ganham outro brilho. A vida ganha outro sentido. E as músicas de sempre têm outro sentido. Quero partilhá-las contigo. E quero saber quais as tuas preferidas. Aliás, quero saber tudo da tua vida. E quero partilhar a minha contigo, até as coisas mais banais. Porque quero que faças parte dela. Mesmo que à distância, com os meios que temos. Quero-te na minha vida.

Hoje, sonhei contigo e acordei com uma vontade incontrolada de te ter. De te abraçar. De tomar o café da manhã contigo. Acordei com uma vontade incontrolada de fazer centenas de quilómetros só para ver esse teu sorriso que me deixa o coração inquieto. O teu sorriso é o que me prende o olhar. Sem dúvida, foi o teu sorriso que me marcou há quatro anos atrás, quando te conheci.

Cada vez que te oiço ao telefone, fico nervosa. Adoro a tua voz, o teu sotaque… Cada vez que te vejo do outro lado do ecrã, fico corada. E só consigo sorrir. Porque és tão giro e tão fofo. E os teus lábios… [suspiro] Quero conhecer os teus lábios, o teu sabor, os teus movimentos, a tua pele, o teu cheiro. Quero saber a que sabe o teu abraço, o teu beijo, o teu toque na minha pele, o teu desejo no meu corpo. Sei que me desejas como eu a ti.

E haverá o dia em que dois corações apaixonados não conseguirão evitar o abraço, e depois o beijo, e outro, e outro… Haverá o dia em que dois corpos, que se querem tanto, não aguentarão mais o desejo. Haverá o dia em que duas almas que se conectam não podem ignorar o que sentem.

Cada vez que escrevemos, queremos falar. Quando falamos, queremos ver-nos. E, agora, que nos vemos, queremos sentir-nos. Como tu dizes, e com razão, queremos sempre mais. O coração acelera, descontrolado. Fico com calores e sinto coisas que não sei explicar. Será amor?

Esta vontade de falar contigo quando acordo. Ver se tenho alguma mensagem de bom dia. A mensagem a que me acostumaste e que, quando não vem, me deixa frágil. Frágil: é assim que me sinto. Estes sentimentos que não consigo controlar deixam-me frágil. E contigo sinto que o posso ser, pois sei que te tenho no meu mundo. E tu fazes-me sentir protegida.

A tua curiosidade por mim, pelo meu mundo, pelos meus gostos, é algo que me deslumbra e eu quero tanto partilhar tudo isso contigo. Porque não vens? Sabes que estou aqui. Estarei aqui enquanto adormecer a olhar para a tua fotografia. Enquanto a primeira coisa que fizer seja olhar para o telemóvel para ler uma mensagem tua. Estarei aqui enquanto andar na rua com este sorriso no rosto. Enquanto me desconcentrar, várias vezes por dia, a pensar em ti. Estarei aqui enquanto tenho esta vontade de ti, de partilhar o meu mundo contigo, de te ter…

Estou aqui. Vens?

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.