Às vezes, dois é melhor do que um

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Fotografia © Julia Caesar | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Um dia, acordas e estás sozinha. Não está lá ninguém a quem dar um abraço ou um beijo de bom dia. De repente, sentes que a cama está fria e livre de aconchego. E sentes um vazio, uma profunda tristeza. Sentes que és só tu, e, de repente, isso não chega.

Foste ensinada a percorrer o teu caminho sozinha, sem depender de ninguém. A correr atrás dos teus sonhos e a lutar como uma guerreira por tudo aquilo a que tens direito. Foi-te dito que és forte, determinada, independente e que és dona do teu próprio destino, e que ninguém tem o direito de interferir no caminho que escolheste. Foi-te dito que não precisas de ninguém, que tu és o bastante e a melhor companhia que podes ter. Foi-te dito que tu és suficiente.

E é verdade!

Mas também é verdade que o suficiente não é excelente. E que o melhor não é o maravilhoso. Tu és única e tens que te bastar a ti própria, mas não foste feita para seres sempre a mulher forte, determinada e independente que és. Também tens o direito de fraquejar e de precisar de um abraço que te envolva de tal forma que o mundo deixe de parecer, por momentos, menos assustador. Também tens que saber que, quando precisas de ouvir «vai ficar tudo bem», vai lá estar alguém que to diga de uma forma que não vais ter dúvidas.

A tua cama tem que deixar de ser sempre só tua. A tua música favorita tem de ser dançada a dois. No final do teu filme favorito, algumas vezes, as lágrimas podem ser enxugadas por outra pessoa. O teu prato preferido também pode ser feito a quatro mãos.

Também precisas que te digam um «hoje, fico contigo», «gosto de ti» ou um «és linda». Porque tu sabes isso tudo, mas, de vez em quando, também precisas de o ouvir. E também precisas que alguém te abrace, te beije e durma a noite toda contigo e ainda espere que tu acordes, só para te olhar nos olhos e te dizer o quão importante és.

A vida ensinou-te a ser dura, a caminhar sozinha e a não demonstrar fraqueza. E aprendeste bem a lição, vestiste a capa e seguiste em frente, sem olhar para trás. Durante muito tempo, isso bastou-te. Mas, à conta de muitas quedas e obstáculos pelo caminho, também aprendeste que, às vezes, dois é melhor do que um. E que não tens que enfrentar o mundo sozinha, porque, por vezes, com alguém ao lado essa tarefa torna-se mais leve.

Por isso, vai. Segue o teu caminho. Mas, se, um dia, encontrares alguém que te queira acompanhar, não lhe digas que não.

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DIANA ROSA, a viajante
Tem 34 anos. Trabalha na área financeira, mas não é isso que a move. A grande paixão — aquilo que a faz vibrar — são as viagens: pelo mundo e pela vida, descobrindo novos lugares, experiências e emoções. Gosta da natureza, de ler, de praticar yoga e de pessoas. Busca ser feliz e realizar sonhos. E este desafio é um passo, inesperado, dado nesse sentido.