
Quem será que manda no meu corpo? Será a mente ou o coração? Quem será que dita as ordens finais e quem decidirá o que eu vou escolher? Quem me dirá se sigo pela direita e te amo, ou se sigo pela esquerda e te esqueço?
E se, de repente, eu decidir que não obedeço nem ao coração, nem à mente? Se decidir que vou seguir em frente? Se eu escutar a intuição da minha alma e resolver ficar entre amar-te e esquecer-te? Se optar por viver com esta ilusão, de que és meu [como nunca foste] e de que te tenho [como nunca te irei ter]?
Que poderá acontecer se me decidir a continuar a amar um rosto, que não conheço e que não sei se algum dia irei conhecer? Se optar por escolher o que poderá nunca chegar a ser verdade?
Afinal, eu pergunto-me: O que é ser meu? O que é passado e o que é futuro?
É aí que o coração e a mente se contradizem. Um vive de passados e o outro questiona futuros. O coração agarra-se ao que já viveu e a mente lembra-me que tudo pode acabar de um momento para o outro [até mesmo os sonhos].
Eu fico aqui, neste impasse entre o ser-te e o esquecer-te. Fico como se o coração e a mente fossem duas paredes, que querem esmagar o meu corpo, evitando que ele se entregue ao amor. A mente testa a sua força, gritando-me para desistir desta idiotice. O coração fica em silêncio, abraçado aos seus sonhos, esperando pela hora certa para o amor aparecer.
É nesses momentos que eu peço ajuda à alma, porque ela é sempre mais coerente e não aceita imposições. Não aceita que a mente lhe grite, a todo o instante, que o amor nunca chegará da forma que eu o sonho. A mente adora fazer-me verter lágrimas e quer fazer-me acreditar que jamais serei amada. Ela gosta de, com o seu sorriso maldoso, me dizer que sou tão feia que nunca existirá no mundo ninguém capaz de me amar.
Só mesmo a alma me poderá ajudar nesta batalha. Só ela poderá dar a mão ao coração e dizer-me para não desistir do amor. É dela a frase «o que é teu, ninguém te tira». É ela que me diz «vamos lá viver, ou melhor continuar a viver». Carinhosamente, conforta-me com um «deixa passar os dias e continua a espalhar o teu amor pelo universo».
E eu acredito que o amor está comigo e vai, um dia, aparecer na minha vida. Tenho que continuar a viver e a sorrir para a vida. Ela irá decidir quando é a hora certa para tudo acontecer.
Está decidido. Vou continuar entre o amar-te e o esquecer-te. Entre o ser e o sonhar. Também não posso esquecer-me de que tenho de me amar.
Afinal, quem manda no corpo é a alma. É ela que decide a quem se vai aliar para vencer cada uma das batalhas da nossa vida. Porque é verdade: dois mandam mais do que um. E, neste caso, a alma e o coração decidiram que o amor vai continuar a existir em mim, por mais que a mente não concorde e me contrarie.




