Procuro-te!

3869
Fotografia © Pablo Heimplatz | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Procuro-te!

Vou sair por aí de olhos fechados, em busca da outra metade de mim. Caminharei com passos largos. Vou fugir do Inverno. Procurar a Primavera florida, onde por certo se esconde o amor. Estou farta de ter este sorriso amarelo, de quem não sabe amar. É urgente encontrar um sorriso colorido que dê cor ao meu viver. Estou cansada deste vestido escuro, feito com um tecido desgastado pelas dores. Sonho, todos dias, vestir algo colorido e ousado.

Procuro-te.

Disseram-me que costumavas andar por aqui, entre a Primavera e o Inverno. Também tu procuravas a outra metade de ti. O ombro que não tens para chorar. A mão que te falta para te poderes agarrar ao amor. Sobra-te cor no teu sorriso e falta-te aconchego para o coração. És o rosto da diversão, sem nunca teres aprendido o que era o amor.

Alguém te viu numa esquina, onde o sol só aparece ao amanhecer. Foi para aí que os meus pés me levaram. Segui a rota da intuição. Foi esse o rumo feito pelo meu coração no mapa da vida. Encontrar-te é uma prioridade de quem sempre viveu de nada. E, agora, procura o pouco que a pode fazer feliz.

Somos únicos. É esse o nosso maior defeito. Somos únicos nas loucuras. Somos únicos na forma de sentir esta magia do amor. Tão únicos que por vezes nos julgamos perfeitos. Metades iguais de um mesmo sentimento. Retalhos de um tecido que nos veste o desejo.

Até já julguei que era teu o braço que me escorrega pelo ombro. Que seriam teus os lábios que fizeram a rota da sensualidade, viajando pelo meu corpo. E, sabes, eles conheciam todos os recantos de mim. Eles despiram-me de todo o atrevimento que me vestia.

Somos únicos. Porque tu me apeteces e eu quero-te.

Por isso, te procuro. Quero-te por seres a melhor companhia para a minha ousadia. Juntos, seremos uma dupla única. Dois tontos apaixonados. Dois sonhadores realizados. Duas crianças com futuro e dois adultos que se esqueceram do passado. Juntos, cometeremos o crime perfeito. Tu tatuas o teu amor no meu coração e eu desenho a poesia da minha vida na tua pele.

Procuro-te. Quero mostrar ao mundo o nosso pecado. Quero escrever o meu nome no teu coração, para que todos saibam que me pertences. Quero que o nosso amor seja o sangue que me corre nas veias.

Sim, diz-me que somos únicos e que este amor existe. Que somos a perfeição. Que tu és a minha perfeição. E eu sou a tua tentação. Que seremos únicos para sempre. Serás o tudo do nada que ainda não sonhei e que faz de nós dois amantes únicos.

Procuro-te. Apetece-me viajar até ao teu paraíso, como quem lhe apetece pecar. Apetece-me sonhar que existe um olhar maroto que me está a medir as curvas. Apeteces-me na fantasia. Apeteces-me na ilusão, no desejo. Apeteces-me nos sonhos. Quando sonho que te tiro a roupa sem te ter tocado. Na ilusão de que és meu. Na fantasia de somos um só.

Somos únicos. Sim, somos. Diz-me que é verdade que este amor pode ser uma realidade. Que o teu amor é a parte de mim que eu ainda desconheço. Que tu és meu e eu não sabia.

Procuro-te. Se me vires, por aí, não hesites em dizer-me que és tu. Que és tu quem eu procuro!

Comments

comments

PARTILHAR
Artigo anteriorUma história de Amor (im)possível – Parte I
Próximo artigoO teu mundo desabou, não foi?
ANGELA CABOZ, a miúda gira
Nasceu em Tavira há 49 anos. Desde a adolescência que é uma apaixonada pela leitura, pela escrita, pelo cinema e pela música. Escreve sobre sentimentos e, nas palavras, reflete a maneira de ver e de sentir o mundo. Em 2014, realizou um sonho: a publicação do seu livro «À procura de um sonho». Desde então, tem participado em várias obras coletivas.