Está decidido! Deixei de esperar por ti.

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Fotografia © Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Está decidido! Deixei de esperar por ti.

Quando me quiseres, sabes onde me encontrar. Não mais te vou procurar. Encontra-me, quando a tua paixão me souber amar. Até lá, decidi que não mais vou ao teu encontro.

Fiquei tantas vezes neste banco de jardim, esperando durante horas que o teu amor voltasse. Pergunto-te que sentido tem a vida se ficarmos eternamente à espera daquele que amamos. Tantas vezes, perdi conta às horas só para desculpar as tuas demoras. Mas, afinal, o que é perdoar quem não nos sabe amar?

Cansei-me e já não tenho paciência para te esperar. Agora, vais ter de ser tu a procurar-me.

Eu continuo por aqui. Estou sempre no mesmo lugar, por não ter outra vida para onde ir. Vou seguir esta vida, consumir as minhas horas de existência. Esta foi a vida que me destinaram e é nela que vou continuar a viver. É de solidão que me vou continuar a vestir a cada amanhecer, só com um tom ligeiramente diferente: não vou ficar à espera que me venhas despir com a tua paixão. Cansei-me de ficar nua e abandonada nas mãos da tua indiferença. Serão as lágrimas que me irão lavar o rosto todas as manhãs. Só não quero que elas tenham o nome de alguém que não me sabe amar.

Foram muitos anos. Começo a envelhecer. Cansei-me. Já perdi demasiado tempo. Tempo que poderia ter usado para sonhar. A esperança existe dentro de mim. Ela nunca me irá abandonar. Só que o meu coração aprendeu a não te sonhar. A criança que existe em mim, aquela que te amou, continua a acreditar que, um dia, o amor vai chegar. Mas terás que ser tu a procurá-la em mim. Sabes porquê? Porque a mulher que hoje eu sou já se cansou de ter amar.

Eu sei. Sei que o tempo me vai dizer que, um dia, a vida me vai surpreender. Que a vida te vai trazer de volta. Então, que te traga, mas que te traga mais consciente dos teus sentimentos. Porque eu vou responder ao tempo que não te quero esperar, que vou deixar a vida acontecer. Se a tua paixão me souber amar, o amor irá aparecer. Aí, vais ter que me conquistar, porque o passado não se remenda. O passado não se altera. Não amaste naquele tempo. Já não podes lá voltar.

Por isso te digo que sabes onde me encontrar.

Estou escondida nas profundezas da minha alma. Onde ninguém me vê, mas onde eu posso contemplar o mundo. Quando te decidires, eu vou estar atenta e irei ver-te a rastejar pelos caminhos da minha vida. Olhando para todos os cantos à minha procura. Não penses que te vou castigar. Não, quem ama não castiga. Apenas vou ler o teu coração. Quando voltares será o teu coração que me vai conquistar e não esse olhar malandro com que sempre me andaste a enganar.

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ANGELA CABOZ, a miúda gira
Nasceu em Tavira há 49 anos. Desde a adolescência que é uma apaixonada pela leitura, pela escrita, pelo cinema e pela música. Escreve sobre sentimentos e, nas palavras, reflete a maneira de ver e de sentir o mundo. Em 2014, realizou um sonho: a publicação do seu livro «À procura de um sonho». Desde então, tem participado em várias obras coletivas.