
Desde que somos crianças somos alvo de comparação. Primeiro entre os pais: «O meu começou a andar com x meses…» «O meu já fala e o teu, que é mais velho, ainda não diz uma palavra.»
Depois vem a escola e somos, inevitavelmente, comparados com os colegas. Pelos professores, pelos pais e pelos próprios colegas. Até nós nos comparamos aos outros para demonstrarmos que não somos tão maus alunos: «Mas, oh, mãe, só houve uma positiva na turma! O teste era mesmo difícil!»
Depois, na adolescência, começamos a sentir-nos patinhos feios porque todas as nossas amigas, exceto nós, têm namorado. E a auto-estima continua a descer cada vez mais. Nunca somos bons o suficiente. Em casa, a comparação entre irmãos está sempre presente, mesmo que inconscientemente. Depois, entramos no mundo do trabalho e há sempre alguém melhor, mais profissional, com melhor média, com mais experiência. E nós estamos constantemente a procurar aceitação.
Aceitação num determinado emprego, na sociedade, no amor. E a nossa felicidade depende de tudo isto. Se o chefe elogiou o nosso trabalho, muito bem. Sentimo-nos os maiores. Se o criticou, ficamos na merda. A sociedade faz aquela pressão comparativa porque não temos namorado. Ou, se temos, para quando os filhos? Porque, na nossa idade, essas pessoas estavam mais que resolvidas. E, depois, no amor estamos sempre à procura num companheiro daquilo que não temos. Auto-estima, aceitação, amor-próprio… Queremos o constante elogio do outro, quando nós próprios não sentimos nada disso. E, então, esses relacionamentos estão destinados ao fracasso. Porque os outros são um espelho de nós. Os outros refletem as nossas lacunas, as nossas fragilidades, os nossos comportamentos.
E quando o outro não é, não diz, não representa aquilo que nós queremos, sofremos. Porque, em vez de mudarmos no sentido de sermos o que idealizamos, esperamos que o outro o seja. Porque é mais fácil tentar mudar os outros, do que nós mesmos. É mais fácil amar o outro, do que a nós mesmos. Porque dói aceitarmo-nos e amarmo-nos tal como somos, com os nossos defeitos.
É importante termos consciência do nosso eu. Senão andaremos sempre ao sabor da corrente. Seremos sempre dependentes do que os outros pensam, acham ou dizem acerca de nós. Seja a nível profissional, pessoal, familiar, amoroso.
É importante fortalecermo-nos enquanto seres únicos com personalidades e características únicas. É importante forjarmos a nossa individualidade, sem comparações. É importante amarmo-nos como somos e pelo que somos. Para podermos ser felizes!




