O coração ou a razão?

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Fotografia © Ivan Obolensky | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Mais uma manhã em que acordo quase sem ter dormido. Os olhos estão cansados, com umas olheiras enormes. Sinto os braços dormentes de tantas vezes que, durante a noite, me abracei.

Saio da cama, sentido o meu corpo pesado. Suspiro e vejo no espelho a minha imagem reflectida. Vejo um rosto cansado. Vejo uns olhos tristes. Aos poucos, vou fazendo o esforço para ter um sorriso. Tenho que agradecer estar viva, porque existe quem muito precise de mim para a caminhada da vida.

Vou sentindo as marcas de dor no meu coração, das tentativas que fiz para viver para mim e por mim, para me sentir feliz e completa, mas nas quais fui percebendo que, num momento ou outro, por uma circunstância ou outra, tudo se desmorona.

Sinto a vida numa constante balança, tentando ter o equilíbrio do peso entre o coração e a razão. E lá anda a balançar à espera que uma das partes tenha mais peso, seja ela qual for — o coração ou a razão. Talvez não tenha ainda chegado o momento para a decisão de ter, finalmente, o peso certo. Queria que a balança se mantivesse firme para os dois lados, mas não consegue. Há momentos que cai mais de um lado do que do outro, mas não decide cair de vez!

Nesta nova caminhada da vida, poderão surgir novas oportunidades. Talvez, sim, possa chegar esse dia. Mas, neste momento, não vejo nada à minha frente. Sinto o peso do cansaço no corpo. Sinto o peso na cabeça, de tantos pensamentos que se atropelam. Sinto o peso nas mãos de uma balança em constante desequilibro.

Há coisas que vão começando a fazer mais sentido na minha vida. Há outras que ainda têm muito a caminhar. Penso mesmo que a balança nunca terá o equilíbrio certo até que eu decida o que é mais importante: o coração ou a razão.

Até lá, até ganhar a coragem de tomar a decisão, a dor permanece em desequilibro e a balança não tem peso suficiente para cair de vez. Seja para que lado for!

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MATILDE GOMES, a emotiva
É sonhadora — tanto que, desde há muito, tem uma lista de sonhos a realizar — e é a viajar que quer iniciar a sua aventura pela vida. Apaixonada pela leitura, é na escrita onde se sente livre, tendo sempre presente o amor e a dor. O seu interior é um turbilhão de emoções, onde reside as lágrimas e os sorrisos. Para a Matilde, o abraço é o gesto que melhor revela os sentimentos.