Às almas que se reconhecem

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Fotografia © Mickael Tournier | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Apaixonar-me por ti em torpor, mas saborear-te ao ritmo de colheres de chá.

Deixar para trás a agitação da mente e focar-me apenas em tudo o que a tua presença me traz. Em tudo o que a tua pele me diz mesmo quando, em vez de te alongares em frases demasiado curtas para aquilo que não definimos, respiras apenas mais fundo.

Fechar os olhos e sentir-te novamente o calor. Guardar em mim o toque do teu sorriso aberto, o que melhor recordo, e que me atrapalha a vontade de resistê… ncia.

Beijar-te uma e outra vez. Fugindo dos pingos da chuva. Daqueles que temos medo que nos molhem e desfoquem os limites que jurámos manter.

Reter a sensação boa de que o silêncio não incomoda, que o encaixe perfeito tem sussurros guardados que só são perceptíveis na linguagem das almas que se reconhecem.

A noção clara de que não seremos um do outro na materialização a que o mundo nos habituou. Sabendo que o nosso futuro passa por outros caminhos. Mais simples, mais previsiveis, mas também com menos cheiro a mar e sabor a sal.

A certeza, porém, de que nas entrelinhas do que não dissemos ficam os resquícios de quem se entregou na profundidade do que é realmente querer.

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MIRIAM AFONSO, a Mi
Escorpiã até ao tutano. Bem disposta e de sorriso fácil. Apaixonada pela vida e pelos outros. Prefere frio ao calor, chocolates a gomas e livros a sapatos. «Os Maias» são um bocadinho como a bíblia lá por casa e «O Principezinho» povoa cada espaço vazio nas estantes. É vizinha de um dos bairros mais bonitos do mundo - o do Amor - e escreve para se encontrar.