Não foste o meu primeiro amor

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Fotografia © Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Podes não ter sido o meu primeiro amor, mas que importa isso agora? Todos nós, durante as nossas vidas, tomamos caminhos errados. Escolhemos estradas que não nos levam a lado nenhum. E só percebemos isso quando nos encontramos num beco sem saída. Quando olhamos em redor e não existe nada, só nós e a solidão. Procuramos o outro que escolhemos e ele não está ali. Estamos sozinhos, por mais gente que exista à nossa volta. Falta-nos quem não nos deveria faltar, a pessoa que escolhemos e que afinal não nos sabe amar.

Foi isso que aconteceu. Olhei para aquela rua e pensei que por ali chegaria à felicidade. A verdade é que caminhei sem destino e, quanto mais andava, mais perdida me sentia. Olhei para aquela paisagem que tinha escolhido para servir de janela ao meu olhar e ali nada se mexia. Já tudo tinha desfalecido. Senti-me esquecida. Parecia que tinha andado e, afinal, não tinha saído do lugar. Os meus passos eram solitários e não me levavam a lado nenhum.

Foi apenas mais uma escolha errada. Uma escolha que me fez aprender a viver e desejar, ainda mais, procurar o que me pertence por vontade da vida. Desta caminhada ficam as marcas do tempo e do que ele semeou. Sim, porque há sempre tatuagens que ficam em nós e que nada, nem ninguém, poderá apagar.

Só que esse tempo já passou. Ambos sabemos que nos cruzamos na encruzilhada certa. Ambos sabemos que foi a vida que decidiu, por recear que nos voltássemos a enganar, nas decisões que deveríamos tomar. A vida tinha-nos destinado um ao outro e nada poderia falhar desta vez. Por isso, ela não hesitou e empurrou-te para mim. Por essa razão, os nossos corações não tiveram qualquer dúvida. Amaram-se antes mesmo de os nossos olhos se cruzarem.

Não foste o meu primeiro amor, mas és o único que eu sei que é verdadeiro. Aquele que procurei em segredo. O que sonhava encontrar na solidão dos meus sonhos. O que desejava na sombra da minha existência. Eu desejava-te sem te conhecer e escondia-me na solidão, para que ninguém percebesse que aquele caminho já não fazia sentido. Que aquela estrada não era mais para mim. Havia uma barreira entre mim e aquele mundo que me impedia de ser feliz.

Eu sabia-te meu, sem te conhecer. Sem saber onde andavas. Eu perseguia esse sonho até à exaustão. Até que a vida se resolveu a ajudar-me. Até que a vida me mostrou que tu existias.

E foi então que eu ganhei coragem para lutar por mim. Para lutar pelo que restava de mim. Era chegado o momento de eu viver uma verdadeira história de amor. A nossa história de amor e que importa que não tenhas sido o primeiro, se és o verdadeiro?

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ANGELA CABOZ, a miúda gira
Nasceu em Tavira há 49 anos. Desde a adolescência que é uma apaixonada pela leitura, pela escrita, pelo cinema e pela música. Escreve sobre sentimentos e, nas palavras, reflete a maneira de ver e de sentir o mundo. Em 2014, realizou um sonho: a publicação do seu livro «À procura de um sonho». Desde então, tem participado em várias obras coletivas.