Essas mãos

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Fotografia © Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Apertas-me a mão com firmeza como que a garantir-me que estás aqui para mim. Dedos entrelaçados, mãos que se encaixam na perfeição. A minha mão na tua parece tão pequena e frágil.

Tinha tanto a dizer sobre essas tuas mãos. Essas mãos de palmas grandes e dedos longos. Mãos inquietas, cheias de vontade de tudo.

São essas, as mãos, que me amparam os medos e os sonhos, que me seguram o sorriso e me secam as lágrimas. São essas, as mãos, que me transmitem a força e o ânimo quando estes me falham. São essas, as mãos, que me mantêm o equilíbrio e que me levantam quando tropeço.

São essas, as mãos, que me conduzem até ti e que me levam pela vida ao teu lado.

Essas mãos, que me apaziguam, são as mesmas mãos que me levam à loucura. São as mesmas que me aquecem a pele e que me provocam arrepios. São as mesmas que me seguram o corpo e que acalmam o desejo.

São essas mãos, as tuas, que desenham um mapa de encontro ao meu centro.

São essas mãos, as tuas, que não quero que alguma vez me deixem. São essas, as mãos, que me agarram com vontade e que me cuidam com carinho. São essas, as mãos, que me levam a desbravar novos caminhos. São essas, as mãos, que me encontram a mim quando eu própria ando perdida.

Essas mãos, as tuas, fazem-me sentir-te como uma extensão de mim.

Essas mãos, as tuas, foram as mãos nas quais depositei o meu coração de olhos fechados.

São essas, as mãos, que me dão vida.

Tinha tanto a dizer sobre essas mãos.

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ANA PEREIRA, a inquieta
Nasceu numa noite estival, mas tem alma outonal. Convive com os números, mas encontra refúgio nas palavras. Aparenta serenidade, mas governa-a uma mente deveras inquieta. Se lhe perguntarem, é assim que se define a si própria. Aliás, estas foram palavras dela.