Amar não pode ser isto: ter medo de ti!

Desafio de escrita: «Amar não pode ser isto»

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Fotografia © Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Amar não pode ser isto… Amar não deve ser assim. Ter medo de ti. Desde há muito tempo que tenho medo de ti. Quando falavas comigo daquela maneira e me sentia a tremer por dentro. Depois, deixei de falar, deixei de ser eu. Precisava de ser invisível para não te incomodar.

Não é que não te adore, por um lado. E sei que gostas de mim. Mas também sei que, dentro de ti, há qualquer coisa tão triste e profundamente zangada que, quando sai cá para fora, só quer destruir. E, nessa altura, ai de quem está perto de ti. Especialmente, se for eu.

«Palavras leva-as o vento», já ouvi dizer. E, às vezes, sou mesmo culpada por ter dito essa frase.

Mas sei bem que não é verdade. Sei bem como as tuas palavras me magoaram, me marcaram, me impediram de ser eu; como entraram dentro de mim e arrancaram cada pedacinho de mim, de quem era, de quem sou, para não te incomodar mais. Cada pedacinho da minha vontade. Cada pedacinho que não é o que tu decidiste que eu posso ser.

Sei que gostas de mim, muito até. Lembro-me de como cuidaste de mim vezes sem fim, quando estava doente. Como me encorajaste, em momentos em que perdi a coragem, com os teus energéticos: «Deixa-te disso.» Como me fizeste andar para a frente, mesmo quando não tinha força, e não me deixaste arranjar desculpas. Como, por vezes, me defendeste e acreditaste no melhor em mim. Lembro-me de como estiveste lá, muitas vezes, para mim e, por isso, gosto e vou gostar sempre de ti.

Sei que não fazes por mal. Talvez nem faças por tua vontade. Sei que te descontrolas, que te magoaram, que perdes a cabeça. Calculo que, dentro de ti, não querias ser ou fazer assim. Provavelmente. Ou não tens consciência… Vejo como também estás em sofrimento.

Mas isso não te dá o direito de desabafares em cima de mim. De fazeres pouco dos meus sonhos e opiniões. De me deixares de rastos com os teus comentários maldosos ou talvez só estúpidos.

Trucidada: foi a palavra que me veio à cabeça quando pensei em como as tuas palavras me fizeram sentir. Fui ver ao dicionário e dizia: «Matar barbaramente ou com crueldade. Degolar.» E é mesmo isso. Foi isso que me fizeste, cada vez que me atacaste com as tuas palavras e também olhares, gestos, ações. Mataste-me barbaramente e com crueldade. E deixaste-me uma sombra de mim.

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LENA PENTEADO, a fashion blogger
Ela é despachada, divertida e irrequieta. Tanto está nas sete quintas como sem forças para sair do sofá. Tem dois filhos e uma filha, que lhe dão cabo da cabeça, mas também são o melhor da vida. Adora a água, a natureza e tudo o que é bonito. Adora ler, fazer desporto e rir. É "um pouco" obcecada com a saúde. Por isso, come bem, faz exercício e essas coisas todas.