Vai um euromilhões?

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681_AnaPereira
Fotografia © Allef Vinicius | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Excelentíssimo Senhor, que em tudo mandas e desmandas (segundo consta por aí):

Estive a fazer contas de deve e haver, e cheguei à conclusão de que temos umas contas para acertar. Acho que está na altura de pagares o que deves. Isto não pode ser só cobrar, cobrar, que é como quem diz, divertires-te às minhas custas e, quando chega a Tua vez de pagares, foges como o diabo foge da Tua cruz. Isso aí em cima parece que funciona como o Estado português: para cobrar penhoram até as cuecas, mas para pagar, ui!…

Dado que esta sexta-feira existe um determinado sorteio, de um determinado jogo, cujo prémio ascende à irrisória quantia de 100.000.000 euros, vá 80.000.000 euros (sou uma pessoa solidária e pretendo doar 20.000.000 euritos ao coitado do nosso Estado), achei que seria uma boa oportunidade de me ressarcires dos meus prejuízos.

Escreveria em aramaico para ter a certeza que me entendes, mas faltei a essas aulas (línguas mortas não é comigo). Mas parto do principio de que deves ser poliglota e que estou a ser suficientemente clara.

Eu sei que tens uma costela de bruxo e que já devias estar a prever esta cobrança, mas nunca pensei que te fosses armar em mafioso. É que duas tentativas de atropelamento em cima de passadeiras em dois dias seguidos é suspeito (aproveito para agradecer ao meu anjo da guarda, és um fofo!). Não é lá porque mudas os capangas de serviço e o modelo do carro, que me despistas. E, já agora, essa frota automóvel aí do sítio não é nada má. É propriedade própria ou renting? E depois falam na humildade e nos votos de pobreza. Pois… Deixa-me estar calada, que ainda sou processada pela marca, B qualquer coisa W, por causar maus danos à sua imagem. Os alemães são lixados e ainda fico sem o dinheirinho.

Agradeço que avalie bem o meu caso. Há de concordar que sou uma digna merecedora de tamanho prémio.

Vá, sê um querido! Paga o que deves e não se fala mais nisso!

Kisses. Love. Peace.

Aninhas

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ANA PEREIRA, a inquieta
Nasceu numa noite estival, mas tem alma outonal. Convive com os números, mas encontra refúgio nas palavras. Aparenta serenidade, mas governa-a uma mente deveras inquieta. Se lhe perguntarem, é assim que se define a si própria. Aliás, estas foram palavras dela.