O que me espera na margem?

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Fotografia © Roberto Nickson | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Roberto Nickson | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Imagina que, um dia, decidi ir pescar. Então, levei um barco pequeno para o meu lago.

Enquanto estou no barco a pescar, reparo no quanto a margem está longe e como seria um desafio interessante largar o barco, onde me sinto totalmente segura, e arriscar ir até à margem a nado. Logo após, recordo que afinal não sei nadar assim muito bem. Por isso, a melhor coisa a fazer é mesmo ficar no barco, quietinha.

Só que, a dado momento, lá se vão os remos e, naquele instante, no meu barquinho, deixo de me sentir segura e volto a pensar na possibilidade de ir a nado para a margem. Contudo, uma vez mais, volto a recordar que não sei nadar assim tão bem.

Espero, afinal, que alguém se vá lembrar de mim e ajudar-me. Ainda tenho comida e água. Fico no barco.

A comida acaba. E penso: «Este é o momento para começar a nadar, enquanto ainda tenho força.» Recordo, novamente, que não sei nadar muito bem.

A água acaba. E penso: «Este é o momento para começar a nadar, enquanto ainda tenho força.» Recordo, novamente, que não sei nadar muito bem.

Até que chega o momento em que, sem comida, sem água, cheia de fome e desidratada, eu me aventuro na água do lago. Não sei se vou chegar à margem, mas sobreviver tornou-se para mim um motivo suficientemente forte para experimentar. Esse é o motivo que eu tenho no outro lado, na margem do lago. Sobreviver!

Poderia tê-lo feito quando ainda tinha forças, mas resolvi esperar até estar completamente desconfortável e em dor. Agora, sem forças, com mais esforço, mais dor e com mais luta, chego à margem. Sobrevivi e penso: «Não quero mais isto para mim. Para a próxima faço diferente.»

Cada um de nós tem o seu barco, onde se sente seguro, onde se sente forte. Escolher, entre uma vida de luta ou uma vida mais fluída, depende da altura e da forma como escolhemos sair do barco.

Se, neste momento, não tens um motivo suficientemente forte para sair do teu barco, encontra-a. Define com clareza o que te espera na margem, porque, a partir do momento em que fazes isso, estás mais próximo de ter uma vida de leveza e de fluidez.

Um beijo enorme e até já!

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LÍGIA SILVA, a coach
Ela é autêntica, mulher e, acima de tudo, humana. Adora falar e escrever de coração para coração. Tem como principal paixão a descoberta da mente humana e adora que esta viagem seja feita com sentido de humor e com uma boa gargalhada. Acredita na simplicidade da vida e na possibilidade de cada um de nós fazermos aquilo que mais nos preenche.