A minha receita para ser(es) feliz

Desafio de escrita: «A minha receita para ser(es) feliz»

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Fotografia © Lena Penteado | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Lena Penteado | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Ultimamente, tenho sido muitas vezes infeliz. Talvez por causa disso esteja cada vez mais espiritual. Porque, nos momentos de desespero, é com Deus que falo. Como quando o meu filho mais velho foi para o hospital com o baço partido (o baço orgão, não o braço, mas também se diz que está partido) e foi fazer uma TAC abdominal e, de repente, aparecem não sei quantos médicos vindos de não sei onde para verem o que vai aparecer no resultado e percebo que é uma emergência e fica tudo em câmara lenta e o que pensei foi:

— Por favor, Deus, ajuda-me. Faz com que não seja nada de mal. Faz com que esteja tudo bem.

É com Deus que falo quando está tudo mal É a Deus que peço ajuda quando estou a desesperar e por isso mesmo agora sigo várias mulheres (e alguns homens) que falam sobre espiritualidade: Marianne Williamson e Gabbi Bernstein são as minhas favoritas.

O mais importante que aprendi com elas foi a não forçar a vida, a acreditar que o Universo está a trabalhar para nós e não contra nós. Não lutar pelas coisas, mas, sim, fazer o que nos dá alegria e esse é o caminho para a felicidade. Para mim, resulta.

Então, noutro dia, estava em Tomar, na casa que era dos meus avós paternos, sentada no sofá e junto à lareira. Tínhamos ido festejar o final do ano novo Chinês com uns amigos Chineses e os meus pais. E percebi que afinal não precisava de muito para ser feliz. Porque, ao longo destes últimos anos, tenho pensado que já devia estar muito mais além, muito mais à frente do que estou. Já devia ter a minha casa espetacular, uma carreira “promissora”, dinheiro para gastar em tudo o que quisesse, um sentimento de segurança vindo daí. Mas, sentada ali, tão confortável, no sofá junto à lareira, a mesma lareira em que já passei tantos bons momentos na vida, com os meus avós, com amigos, os meus pais e toda a família… Na minha casa favorita e no sítio que mais gosto em todo o mundo, senti que só precisava disso para ser feliz: uma casa assim grande (enorme de preferência) com um jardim grande e cheio de árvores e verde e flores, com uma decoração que eu goste, refeições deliciosas e boa companhia.

Noutro dia, nas minhas aprendizagens sobre finanças, li algo deste género:

«Acho engraçado que as pessoas pensem que tudo é uma necessidade: a subscrição no ginásio, o telemóvel, net, ir a restaurantes, um carro, etc. Mas isso não são necessidades. Na realidade só há três necessidades: uma casa, comida e roupa.»

Para mim pensar assim foi libertador. Afinal não preciso de 500 mil coisas: o carro perfeito, a roupa perfeita, isto e aquilo. Isso são coisas que eu quero (ou penso que quero). Afinal, do que eu preciso realmente é de muito pouco. Isso fez-me ver o mundo de uma maneira diferente, um mundo onde preciso de muito pouco e, por isso, sou muito mais livre.

E acho que foi perceber que precisamos de muito pouco que me ajudou a ver as coisas daquela maneira, naquela tarde no sofá da casa dos meus avós.

Assim, já vão perceber melhor a minha lista para ser feliz (apesar de não ter explicado todos os pontos) e aqui vai:

  1. Gostar de mim.
  2. Estar com as pessoas que amo.
  3. Uma casa enorme, com um jardim. (Preciso de espaço, mas para outras pessoas calculo que não seja preciso tanto espaço…)
  4. Uma decoração super gira e a casa limpa e arrumada.
  5. Comida deliciosa. (É que gosto de comer bem apesar de ser péssima na cozinha.)
  6. Tempo para descansar.
  7. Estar muito confortável (lareira no Inverno e A/C no Verão, roupa confortável, mantinhas, etc.).
  8. Fazer o que gosto (no trabalho, e no dia a dia).
  9. Não forçar timings, deixar a vida acontecer e acreditar que tudo o que aconteceu até agora foi o perfeito para mim.
  10. Confiar! Em mim e no Universo, que “conspira” para me ajudar a cada momento.

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LENA PENTEADO, a fashion blogger
Ela é despachada, divertida e irrequieta. Tanto está nas sete quintas como sem forças para sair do sofá. Tem dois filhos e uma filha, que lhe dão cabo da cabeça, mas também são o melhor da vida. Adora a água, a natureza e tudo o que é bonito. Adora ler, fazer desporto e rir. É "um pouco" obcecada com a saúde. Por isso, come bem, faz exercício e essas coisas todas.