A minha receita para ser(es) feliz

Desafio de escrita: «A minha receita para ser(es) feliz»

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Fotografia © Andreia de Castro | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Andreia de Castro | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Como gosto de cozinhar, e ao pensar nas receitas com que me vou deparando, todos os dias, para conseguir criar alguma coisa comestível, acredito que tudo o que é preparado por indivíduos diferentes exige resultados diferentes, quanto mais não seja porque levou algum ingrediente especial. Considero que a vida é um pouco assim. A meta «ser feliz» é o que nos conduz e o que nos leva a usar «massa» e não «arroz».

Ainda assim, tendo em conta que existe sempre um longo caminho pela frente, que acaba, a meu ver, por parecer um pouco inatingível devido à insatisfação do ser, os ingredientes que tenho vindo a usar são:

  • Encontrar o significado de existir. (Porque existo? Porque não existir?)
  • Perceber que as dificuldades te são impostas não com intuito de desistires.
  • Anular algumas palavras até que as consigas usar na plenitude do seu verdadeiro significado (ódio, nunca, vingança, amor, saudade).
  • Aprender com todas as experiências: quedas, desilusões, corações partidos, perda das tuas pessoas, maus tratos, violência, erros e falhas (teus e de quem te rodeia). A imperfeição existe e é algo que é comum a todos.
  • Diz que gostas. Diz que gostas muito. Amanhã podes não estar e já perdeste a oportunidade.
  • Conquista, conquista objetivos, supera obstáculos e sê merecedora de vitórias.
  • Esforça-te por ti primeiro. Depois, pelo que te move ou por quem te inspira.
  • Sorri. Dá uma boa gargalhada, daquelas que contagia. Vais fazer o dia a alguém e a ti.
  • Chora, sozinha ou no colo de alguém, mas chora. As lágrimas são sinal de que sentes.
  • Revela as tuas qualidades, os teus interesses, as tuas capacidades. A finalidade é mostrar que estás aqui, existes, tens valor e nasceste para ficar.
  • Pede desculpa, perdoa, deixa que gostem de ti e tenta gostar também.
  • Abraça os dias, cada dia, com braços fortes e cheios de vida.
  • Descortina um pouco de ti, ainda que te sintas dorida de tanto andar descalça. Há quem mereça conhecer-te.
  • Deixa entrar. Dá luta ao sair.
  • Reúne-te contigo várias vezes, espelha-te num reflexo colorido e faz o teu caminho.
  • Faz-te perguntas e sê capaz de responder a todas as tuas perguntas.
  • Escreve. Nem sempre as palavras são ouvidas, mas a escrita regista o que muitos não ouvem ou não quiseram ouvir.

O que a tua felicidade deve dizer, acima de tudo, é que tentas, tentas muito. Que existes e, felizmente, ainda com capacidade de te superar e viver.

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ANDREIA DE CASTRO, a princesa
Se fosse o seu pai, dir-nos-ia: «A Andreia é uma princesa... Só ainda não sabe que o é.» E, para ele, isto definiria tudo. Porque a Andreia é amor. Amor pelos outros, mas não tanto por ela própria. Porque a Andreia é família: vive para e por eles. Porque a Andreia é o sorriso, a lágrima, o vento, o sol, o silêncio, o mar e o céu sem limite. E, além de tudo disto, a Andreia é ainda solitária, viajada, artista, insegura, auto crítica, beijoqueira. É a princesa que o pai sempre quis ter. E que, até ao parto, esperavam que fosse um menino... Mas a Andreia, porque também é sentido de humor, enganou tudo e todos. E não se limitou a nascer menina. Nasceu princesa.