A minha receita para ser(es) feliz

Desafio de escrita: «A minha receita para ser(es) feliz»

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Fotografia © Andreia Fernandes | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Andreia Fernandes | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

O pedido é uma receita. E misturando os ingredientes certos, com a temperatura ideal e a paciência de quem faz um ponto de caramelo na perfeição, a felicidade é realmente um prato atingível, e o mais apetecível.

Tal como na cozinha, acredito que a gramagem certa de cada ingrediente é ajustada ao dia, à hora, à situação de vida e com uma pitada de loucura e risco.

Antes de qualquer receita é preciso separar ingredientes e untar. Portanto, aqui vamos então untar a nossa mente e libertá-la de prisões geográficas, raciais, religiosas ou de qualquer outra espécie. Let it run free. Depois, vamos manter o coração aberto ao que vem, aprendendo, com precaução, como e quanto dar de nós.

Na minha receita ideal, misturamos ingredientes um pouco ao sabor do momento, pois sou muito impulsiva e, como em qualquer receita feita por mim, tem de ter cunho pessoal.
Aquela pitada de loucura, risos e felicidade insana, que dá o tempero ideal. Eu chamo-lhe o meu twist, porque é assim que acredito que serei feliz. Vocês dêm-lhe o nome que acharem melhor, mas adoptem o twist. Acreditem que vai mudar a vossa vida não controlarem a receita inteira, fazendo-a apenas como vem no livro.

Começamos então pela base, uma dose gigante de amor. Sim, eu sei, que cliché, mas ninguém vive sem. Sem amor próprio, pelo menos, não somos nada. Como alguém escreveu e bem, «só estás pronto para amar alguém quando te amares a ti próprio». Sigam esta indicação à risca.

Acrescentar duas chávenas de uma mistura que faz toda a diferença: lealdade, honestidade e bom coração. Polvilhem, generosamente, com fé no que quer que seja.

Rodeiem tudo de duas mãos cheias de amigos, daqueles de qualidade. Se não conseguirem duas mãos cheias, coloquem apenas uma, ou apenas um, mas de qualidade.

Envolvam em paz, interior e exterior. Acrescentem, ao longo da envolvência, sonhos, mexendo lenta e firmemente de maneira a que não se dissolvam. Reservem.

Adicionem paixão pela vida numa dose generosa. Pode ser paixão de tudo um pouco. Caso não consigam achar pela vida, misturem a paixão pelo conhecimento, por pessoas e culturas no geral, que vai saber ao mesmo, e jamais se sentirão aborrecidos.

Neste ponto, acrescentem uma colher de chá de ambição, profissionalismo e visão comercial.

Deixem a levedar em viagens, livros e abraços. Amassem por cima de uma camada grande de risos, gargalhadas, lágrimas, parvoíces e rebeldia q.b.

Para terminar, metam no forno, previamente, aquecido a quantos graus quiserem na altura da vossa receita.

A receita está pronta, mas esperem. Falta a cobertura.

Envolvam mais uma vez. Mas para a cobertura, e nas doses que acharem boas, amor e paixão, juntem a isto, em larga dose, sexo, beijos, agarramento, desejo e acabem com noites mal dormidas, mas daquelas que valem por 30 dias de sono. Esta é uma cobertura muito pessoal. Na minha receita, a cobertura fica tipo doce de Amora — doce, mas ácido — com piquinhos na língua, daqueles que fazem fechar os olhos. Ora mais doce, ora mais ácido. Mas este é o meu twist. Encontrem o vosso ponto caramelo.

Atenção: Esta receita é mutável. Podem acrescentar novos ingredientes e quantidades. Eu própria já os alterei um milhão de vezes só hoje. No entanto, a base é esta. Não há como enganar!

No final, sejam sempre, mas sempre felizes.

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ANDREIA FERNANDES, a destemida
27 anos. Sensível, engraçada e sarcástica. Convicta, mas sem fanatismos. Ansiosa e com uma queda para o dramático. Amante de leitura, música, cinema, pessoas de bom coração e mesas bem servidas. Sonha percorrer o mundo, e saber um pouco de tudo, sem nunca ter certezas absolutas de nada. Acredita piamente que a busca pela individualidade é infinita, que o amor se faz chegar de todas as formas e que não há limites para se ser feliz.