A minha receita para ser(es) feliz

Desafio de escrita: «A minha receita para ser(es) feliz»

2241
Fotografia © Miriam Afonso | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Miriam Afonso | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Numa receita descomplicada, «armada aos cucos» no meio da sua simplicidade, o importante é o tempero. Reúno, por isso, todos os frascos de especiarias que me tocaram o palato e misturo com a sensualidade plena de quem sabe ser feliz.

Atentem nos pormenores que se seguem:

  • Em panela fria, metal pesado de armadura já gasta, o líquido que contorna o corpo e o encaixa em energia quente. O lume alto. O fogo que contrabalança a água.
  • Na água já quente, o sal da verdade. O travo da sinceridade absoluta, moderado pelos conselhos antigos de quem estará sempre presente.
  • As ervas soltas, resquícios de passeios longos e de toques subtis na pele, dão frescura aos dias longos. Trazem a ternura de amores antigos. De vidas passadas em encontros bem fervidos.
  • No meio da ebulição, os cheiros que já conheço. Os que amo comigo, num fervilhar de vivacidade e de encaixe perfeito.
  • Os dedos, esses, podem perdê-los em pimenta. O calor do reconhecimento de quem já esteve em nós um dia. O travo de outras vivências. As cores de outras memórias.
  • Pintem um quadro com todas as cores que já saborearam. Arrisquem! Não tenham medo! Gritem «sim!» aos desejos, ao mesmo tempo que se multiplicam na diversidade que é existir.
  • Atirem-se e sintam o prazer de o fazer, sem rede.
  • Vejam como tudo se mistura, se funde e se encontra. A unicidade de sermos nós próprios. No nosso reflexo, mas também nos outros. Deixando-os entrar, mas sem nos perdermos nas suas linhas. Colorindo dentro das nossas e partilhando os lápis.
  • Com a colher exímia da musicalidade que vem de dentro, confiram-lhe ritmo. Dancem e espalhem o movimento à vossa volta. Fechem os olhos e sintam a vibração da vossa receita. Ouçam o que ela tem para vos dizer, enquanto deixam o corpo livre. Solto na confiança da sua beleza plena e serena. Selvagem e crua q.b.

Sabem o que fazer de seguida?

  • Reúnam tudo o que vos faz sorrir, saltar de alegria, borboletas no estômago, palpitações e pulsares e juntem-no com amor. Inalem o doce da vossa essência e agradeçam cada pedaço das bênçãos que vos coube e desfrutem. Deixem fluir.
  • Escrevam no vosso livro, aquele em que se encontram no mais profundo de vós, qual a mistura certa. Registem-na na mais bela caligrafia e sintam a gratidão de tudo o que ainda têm para escrever. Não coloquem tampa. Permitam que a vossa energia encha o espaço à vossa volta e vos inunde. Que se tatue na pele e vos torne mais autênticos.
  • Mantenham o lume aceso. Brando. Mantenham-no perto e relembrem-se, a cada minuto, do quão quente e vibrante é viver verdadeiramente feliz!

Comments

comments

PARTILHAR
Artigo anteriorComo a vida retribui os nossos sorrisos!
Próximo artigoTalvez ainda sobre amor
MIRIAM AFONSO, a Mi
Escorpiã até ao tutano. Bem disposta e de sorriso fácil. Apaixonada pela vida e pelos outros. Prefere frio ao calor, chocolates a gomas e livros a sapatos. «Os Maias» são um bocadinho como a bíblia lá por casa e «O Principezinho» povoa cada espaço vazio nas estantes. É vizinha de um dos bairros mais bonitos do mundo - o do Amor - e escreve para se encontrar.