Eu sou escrever

2291

Fotografia © César de Silva | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © César de Silva | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Não tenho muitos métodos de escape da rotina diária. Não tenho como saber ignorar as más fases da vida. Não sei como reagir a situações embaraçosas. Não sei como interagir com mágoas… Não sei trabalhar os meus problemas. Sou um nó!

Só sei uma coisa: eu escrevo. Eu escrevo para esquecer. Eu escrevo para me retirar um pouco da vida quotidiana. Crio o meu próprio mundo, as pessoas que lá habitam. Crio histórias. Crio dramas. Crio soluções para esses mesmos dramas. E, na vida, existem soluções? Existe o final feliz? Talvez sim, para alguns… Outros acabam sozinhos. Outros acabam com a própria vida… E porquê?

Por isso, não escrevo sobre a realidade, mas também não escrevo puramente fantasia. Na vida deveria existir um equilíbrio – uma balança, com bons e ótimos momentos! Mas não. Hoje em dia, a percentagem de tristeza, num dos lados dessa balança, vai de 65%, enquanto que no outro lado estão os bons momentos, com apenas 35%. Não é justo, pois não?

Por isso, escrevo.

Escrevo o que eu quero em escape à realidade. Abro o caderno. Fecho o caderno. Uso a caneta, gasto e compro outra. Não consigo parar. Agora, é vício.

Abstraio-me da negatividade – retiro-me de perto das más energias. Olho o Universo com outro olhar e falo com ele. Agradeço-lhe as coisas boas que me proporcionou. Agradeço-lhe as pessoas que colocou no meu caminho. Agradeço-lhe as boas oportunidades e peço-lhe para que me ajude nos maus momentos. E, assim, escrevo.

Assim desabafo…

Com isso respiro…

Com isso existo.

É uma das coisas que me faz pertencer. É uma das coisas que me faz sentir especial. É uma das melhores coisas que alguma vez poderia existir. Para mim, escrever é doces, é respirar. Eu sou escrever. E sim, sou um livro. Um livro que conta histórias. Contudo, de capa fina e transparente. Não existem segredos, nem maldade.

Eu sou um livro.

Eu sou escrever.

Comments

comments

PARTILHAR
Artigo anteriorO caminho de cada um
Próximo artigoEnvelhecer
CÉSAR DA SILVA, o independente
Gosta de gelados - muitos gelados! Diverte-se com pouco e cansa-se da rotina facilmente. Gosta de rir e, acima de tudo, de escrever. Sente aquilo que escreve e imagina tudo num mundo totalmente diferente, criado na sua própria mente. Tem 22 anos e sempre conquistou a sua independência. Adora boas séries e bons filmes. É viciado em entretenimento. Escreve aquilo que sente e gosta de dar asas à sua criatividade.