Estou a dar tudo de mim. Tudo!

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Fotografia © João Silas | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © João Silas | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Sabes aquela vida de plena harmonia? Sabes aquela vida de ilusões e sonhos? “Aquela” que tanto fazia prever imensa felicidade? Ainda te recordas? Sim! Essa que seria só nossa. Aquela que tantas vezes fez parte de conversas intermináveis, onde residia a esperança de algo novo para os dois, onde residia a ambição por mais e melhor. Por um segundo, para e pensa!

Os nossos finais de tarde eram preenchidos pela partilha de coisas em comum. Recordo as nossas corridas nos finais de tarde. Tu sempre determinado a acompanhar-me para que eu não desistisse. Vias, no meu rosto, o esforço que fazia. Isto para conseguir que tivesses orgulho em mim. Cada dia que passava, sentia-me com mais vontade de me superar para ser aquela companheira que sempre sonhaste. Determinada e ambiciosa.

Recordo-me dos nossos passeios de bicicleta, por lugares com paisagens que nos transmitia tranquilidade. Lembras-te de quando levávamos o lanchinho? Não podia faltar algo doce. Era tão bom! Eram esses os momentos em que a vida nos permitia estar na companhia um do outro. Fazia-nos bem. Havia boa disposição.

A partilha foi algo que sempre nos caracterizou. Recordo-me ainda que os dias eram preenchidos por conversas de vários temas. Sempre terminavam no que seria o nosso futuro.

Ainda tento que assim seja, mas, por vezes, fazes-me acordar do sonho e mostras-me a realidade. Provavelmente, só estás a ser meu amigo e eu insisto em querer mais do que isso! Não queres que alimente uma vida com o teu amor, quando me dás sinais de que já não a terei. Talvez estejas a tentar que eu não sofra e me habitue à ideia de que esta nossa história fica assim. Não sabemos é por quanto tempo!

Agora, dizes me que provavelmente estou numa fase em que preciso de outras coisas. Coisas, essas, que agora estão ao meu alcance, como nunca antes estiveram. Atrevo-me a dizer-te que isto que dizes poderá ser uma forma mais leve de ires embora da minha vida, sem te sentires culpado.

Mas, sim, é verdade! Tenho essa necessidade. Preciso mesmo de fazer tudo aquilo que não fiz até agora. Viajar é um dos meus maiores sonhos. Quero conhecer novas culturas e sabores. Quero enriquecer-me como ser humano. Quero receber os amigos em casa para jantares intermináveis. Quero conquistar de novo a vida familiar, que se perdeu por falhas — por causa das quais eu não vou viver com a culpa, quando não falhei sozinha. Quero ter fins de semana preenchidos com planos que fazem valer a pena estar neste mundo. Quero, acima de tudo, voltar a ter-me como um dia já fui.

Mas tu insistes em não querer perceber que tudo isso pode e quero que seja feito contigo ao meu lado. Tu não és impedimento algum para a minha realização pessoal. Pelo contrario, tu és a pessoa que faz todo o sentido na minha vida para concretizar tudo aquilo que ficou adiado.

Estou a dar tudo de mim. Tudo! Só resta tu quereres agarrar. Só resta acreditares em nós. Podes até pensar que farei tudo igual sem ti. É verdade! Posso fazê-lo. E, se assim tiver que ser, será! Mas, se queres um conselho, não deixes, porque vais sofrer ao perceberes que me deixaste ir sozinha. E o teu coração vai conhecer o sentimento de perda.

A perda do teu verdadeiro e único amor.

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MATILDE GOMES, a emotiva
É sonhadora — tanto que, desde há muito, tem uma lista de sonhos a realizar — e é a viajar que quer iniciar a sua aventura pela vida. Apaixonada pela leitura, é na escrita onde se sente livre, tendo sempre presente o amor e a dor. O seu interior é um turbilhão de emoções, onde reside as lágrimas e os sorrisos. Para a Matilde, o abraço é o gesto que melhor revela os sentimentos.