Esse teu olhar que me despe a alma

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Fotografia © Felix Russell-Saw | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Felix Russell-Saw | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

— Olha bem para mim. O que os meus olhos te dizem?

— Dizem muito. Dizem o contrário do que tentas demonstrar com esse ar sério.

— Ai, é? Que ar sério?

— Esse que colocas. Um ar rígido. Um rosto duro. Não sorris. Os teus olhos dizem o contrário.

— Mas não é isso que pergunto.

Colocas as tuas mãos à volta da minha cintura.

— Os teus olhos são doces, meigos. Esse azul imenso como o céu, profundo como o mar, deixa transparecer todos os sonhos que tens.

Sorris. Finalmente, sorris. E, se antes não conseguia desviar o olhar dos teus olhos, agora não consigo deixar de admirar o teu sorriso.

— O teu sorriso é maravilhoso. Porque nunca sorris?

— Porque não preciso. Os meus olhos refletem aquilo que sinto.

— É verdade. Os teus olhos dão segurança, pedem carinho, abraçam o mundo, refletem a tua alma pura.

Passas a mão no meu cabelo, depois no rosto. Cheiras-me o pescoço. Beijas-me a bochecha. Perguntas:

— Então, já descobriste o que os meus olhos te dizem?

— Oh, já disse tanta coisa. — Respondo, corada.

— Não é nada disso. Não acertaste.

Aproximas os teus lábios dos meus. Sinto a tua respiração. Beijas-me lentamente. Os teus lábios são quentes, macios. O teu beijo. Ai, o teu beijo… O teu beijo deixa-me sem fôlego, com desejo de mais. Insistes:

— Agora já sabes…

Sorrio, ao mesmo tempo que encolho os ombros, sem saber a resposta.

Agarras o meu rosto, com as tuas mãos fortes. Fixas o teu olhar no meu. Esse olhar que me consegue despir a alma e, ao mesmo tempo, me protege. Esse olhar que me deixa nervosa e, ao mesmo tempo, excitada. Esse olhar que me aconchega o coração e que, ao mesmo tempo, me dá medo de te perder.

E é com esse olhar, doce e de um azul profundo, que me dizes:

— Desejo-te. Desejo-te com todo o meu corpo, com todos os meus sentimentos, com toda a minha vida. Desejo tocar e beijar cada parte do teu corpo. Desejo conhecer-te até ao mais ínfimo pormenor. Desejo partilhar o meu mundo contigo. Desejo-te.

— Eu também te desejo.

E abracei-te, com o melhor abraço que te podia oferecer, com a certeza que o mundo podia desabar que estarias sempre comigo.

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.