Vermelho: ama, arde e sangra

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Fotografia © Steinar La Engeland | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Steinar La Engeland | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Vermelho. Cor que, provavelmente, predomina na época natalícia, e diria até na minha vida.

Desde os enfeites nas ruas, nas casas, nos centros comerciais às árvores de natal, luzes, fitas, bolas de enfeite, renas, bonecos de neve, o pai natal, as prendas, a mesa farta, bolos, bolo rei, rabanadas, filhoses, bacalhau, peru. E podia continuar a lista do que me surge na memória quando se fala em Natal, confirmando assim o quanto gosto dessa época que a mim me faz sonhar que nem menina mulher.

No entanto, há muito mais do que isto. E, para mim, o vermelho e o natal é lembrar que tenho uma família enorme, que se reúne quase religiosamente. E que, embora com os seus desentendimentos e conflitos até então saudáveis e vistos como normais numa típica família grande, muito mais é o amor que nos une do que aquele que nos separa.

Pensei falar no vermelho. Cor que predomina na minha vida desde sempre. Cor que aquece e arrefece num espaço de segundos. Aquece, porque pode representar fogo. Arrefece, porque pode representar sangue.

Falemos, individualmente, de cada cenário.

Fogo. Arde. Queima. Aquece (corpos, almas, sentimentos). Tem luz própria, sombria, dependendo do ponto de vista. No entanto, a beleza de o ver crescer e sentir aquecer a pele, numa lareira construída por dezenas de galhos, é impagável. Fogo anda de mãos dadas com o amor. Como alguém diz, «Amor é fogo que arde sem se ver». Fogo está ligado ao inferno. Diz o povo que lá existe o diabo e que o ambiente é aquecido. Há fogo dentro de mim, daquele que aquece quem passa, e queima quem pouco ou nada deixa.

Sangue. Vermelho. Fluido. Habita e corre por entre as veias. Aquando um corte, um rasgo, uma ferida, uma queda, um golpe… uma fuga, que o impeça de se manter no corpo aonde pertence. Ele escapa podendo até fazer falta para a sobrevivência desse mesmo ser. Existem várias categorias da palavra em causa: a família de sangue, os amigos de sangue, as almas de sangue. Sangue pode ser tudo para quem precisa dele para viver, ou nada para quem não depende dele para construir uma vida plena.

Vermelho é maçã do amor coberta de caramelo. É morango. É Ferrari. É nariz de palhaço. É o meu Benfica. É corar. É provocação. É sensualidade. É extintor. É sinal STOP. É Amor. É paixão. Pode ser ódio, raiva, cansaço, lingerie para Dia dos Namorados, sapato alto, batom, bolinha no canto da televisão para passar a mensagem.

Vermelho relembra o bom e o mau. O ser ou não ser algo. O querer ou não querer alguém. O ter ou não ter. O sentir, acima de tudo, algo porque só assim nos sentimos vivos.

Vermelho é só uma cor, mas pode ser muito mais que isso.

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