2016: O ano mais inesquecível até hoje

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Fotografia © Tofros | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Tofros | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

No início de 2016, determinei mudar de vida. Quando fiz esta determinação foi no sentido de mudar de trabalho, de cidade, de casa. Mal sabia eu que ia mudar de vida, várias vezes, durante o ano. Ou que as mudanças, às vezes, dependem apenas de uma decisão.

De facto, recebi três propostas de trabalho. Mas uma pessoa nestas coisas tem que ser sensata. E nenhuma das três era superior em tempo, dinheiro ou tipo de trabalho, ao que tinha garantido até ao próximo ano. Sou bolseira e este é o meu sexto, e último, ano de contrato. Já um pouco desmotivada, porque não me sentia a evoluir profissionalmente, pensei voltar a tentar uma formação em França. Num centro especializado em conservação e restauro de materiais orgânicos, o ARC-Nucléart, em Grenoble. Se não sabes qual é a minha área profissional, podes ler o meu texto «Um trabalho de que gostes». Desde 2008 que conheço e que determinei, um dia, fazer formação neste centro. Mantive contacto com eles desde essa altura e tentei, em vão, programas de estágios no estrangeiro. Pensei, um dia, quando não tivesse trabalho e tivesse dinheiro, ir lá um ou dois meses. Este ano, e uma vez que iria ficar como bolseira mais um ano, pensei: porque não tentar fazer esta formação no âmbito da bolsa? Foi difícil. Primeiro, saber se podia ir. Depois, justificar o porquê de querer ir — inúmeras autorizações dos meus orientadores, do meu centro de acolhimento em Portugal, da instituição que me paga. Por fim, toda a papelada e burocracias em França, que está muito rígida com as questões de segurança, por causa dos atentados. Após meses nisto, finalmente fui durante um mês e meio. E foi tudo muito bom e enriquecedor. Desde o que aprendi às pessoas que me acolheram e ensinaram, às instalações, às cidades e museus que conheci, à comida, à casa onde vivi. Um centro de excelência, um exemplo de como as coisas deveriam sempre funcionar no mundo da conservação e restauro.

Aproveitei esta viagem a França para visitar familiares que vivem no sul. Passeámos por Cannes, Nice e Mónaco. Fui passar um fim de semana com uma amiga que não via há oito anos, nas montanhas, perto de Annecy. Entre cascatas, neve no Mont Blanc, bom vinho e comidas aconchegantes como a raclette ou a tartiflette, foi inesquecível. Visitei pequenas cidades como Arles, Nímes e Lyon. E, por fim, não pude deixar de visitar Paris, onde reencontrei outra amiga. Uma cidade que queria conhecer há muito tempo. Uma cidade fantástica, multicultural, com imensos museus, várias atrações e atividades. Já para não falar do Palácio de Versalhes e da Disneyland — que mereceu, só por si, o texto «A Disneyland não é só para crianças», a contar esse dia incrível.

E este tempo em França foi, de facto, a mudança de vida mais importante do meu ano. Mas tive outras igualmente boas e que contribuíram para o tornar inesquecível.

De todas as viagens que quero fazer, decidi o ano passado que iria conhecer Itália. Mas de Itália eu queria conhecer tantas cidades. E foi assim que fiz uma lista e planeei um mini inter rail, durante 15 dias, de mochila às costas. Foi uma viagem de sonho que começou em Veneza, passou por Verona, Génova, Cinqueterre, Pisa, Florença, Nápoles, Pompeia e terminou em Roma. Com direito a ver o Papa e tudo. Podes ler o meu texto «Itália» sobre esta viagem.

Quis fazer algo de diferente no verão e foi assim que planeei fazer o Caminho de Santiago, durante 5 dias. E com este aprendi tantas, mas tantas coisas. Sobre esta aventura podes ler aqui: «Pelos caminhos de Santiago».

Outra mudança importante de 2016 foi o início deste projeto, que é a plataforma de escrita criativa Desafio-te. Comecei quando ela começou. Pensei que não teria que escrever mais de dois ou três meses. E já lá vão oito meses. E tem sido tão motivante, pelas pessoas que conheci e que conheço a cada mês, pelo que posso aprender com elas, pelas amizades que se criaram, pelo que posso inspirar os outros com as minhas histórias. Não tinha sequer ideia que esta aventura iria ser mais, mas muito mais do que simplesmente escrever.

E tanto que fica por contar. Porque o ano passado não foram só conquistas. Também houve momentos difíceis e acontecimentos menos bons.

Apesar de tudo, posso afirmar que foi o ano mais inesquecível até hoje. Porque foi o ano que concretizei objetivos e realizei sonhos. Para além de que também foi o ano em que a Seleção Portuguesa ganhou pela primeira vez o Euro.

Percebi que, quando determino e tomo ação, as coisas acontecem. Que sou muito boa a planear viagens. Que ser perseverante compensa. Que, apesar das amizades que perdi, existem outras que são eternas. Que os meus limites são apenas mentais — que, quando os desbloqueio, posso ser e fazer tudo aquilo que quero.

Percebi que, depois deste ano, sou uma pessoa mais completa, mais conhecedora, mais feliz.

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.