Nunca tive Roma, apenas Oxes

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Fotografia © Tiago Magalhães | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Tiago Magalhães | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Quantas foram as vezes que gritei enquanto chorava, com a cabeça enfiada na almofada que me sustentava o sono? Porque não tenho Roma? Mas eu tive Roma, mas não a Roma que eu queria.

— És bonito, tão ____. Tu és chefe? Passas a _____? Como podes estar _____?

Sabes nada de nada. A raiva acumulava-se: porquê -»eu«-? Porque não tinha ninguém? Porque via tudo e todos, que me rodeavam, criarem uma bolha(), cuspirem para o ar, e essas gosmas de indiferença me virem parar à tola? Essa tola que estava atolava de merda |ups|. Sabes é nada de nada. Dás bitaites: «Coitadinho, deixa lá. Os outros têm mais problemas do que tu.» Chamavam o teu ___de bêbado? Tinhas uma alcunha ofensiva na escola? Deixa lá. A vossa ____ dormia o dia todo? Anestesiada até aos cotovelos? Deixa lá, que passa. Tudo passa. (No fundo, estava desprotegido. Não tinha Roma suficiente).

Anos mais tarde, depois disso, só tinha era Oxes (…) Oxes na faculdade. Oxes no Brasil, em Lisboa. Oxes no trabalho. Oxes a 4, em todos os lados por que passei. O Oxes trazia segurança, macheza, pujança. Já não era tão inseguro como antes. Que bonito, que fofinho ter Oxes. Estás ali, passa uma noite e pronto: acabaste de ter Oxes.

Depois, perguntava-me:

— O que isso te traz? Tens Roma na tua vida? — Queria ter os dois e aí tornava-me num(a) felizardo(a). (Ter Roma e Oxes. Uau!)

Bela merda |ups again| Digo-te já… Bem, desculpa. Apenas é um reflexo desta doentia inveja que tive, tenho. Acho que é mais tive… Agora, já não sinto isso. Já nem Oxes tenho. Decidi parar. Acredito que vou ter Roma e, depois, posso ter Oxes, esgalhar até doer.

Ui, já entendeste o que é Oxes? Apenas quis dar o meu ar de misterioso galã que fala de ordineirices por entre códigos. Deve ter resultado, e se não resultou, olha, é como o Deejay Telio: que se fo**.

Mas, vá, voltando ao assunto, percebi que Roma é tão bom, tão genuíno, tão fantástico. Bem, Oxes também é obviamente bom, até os passarinhos gostam, mas não é o mais importante. Queria mesmo uma mulher especial, verdadeira, que realmente olhasse nos meus olhos e conseguisse ver a minha alma. Será que existe? Ou estão a fabricá-la?

No meio disto tudo, estou aqui confuso com o que vou escolher para a categoria do texto. Deixa cá ver. Dava um bom desafio-te, ou desafios de vida. Uma reportagem não. Só quando for famoso. Não falta muito. Poesia já tenho a página lá do Pudim Flanzeco (já agora, visita a página do Facebook — é a «Escrita Instantânea como o Pudim Flan»). Humor talvez, mas também não tem muita piada… Ah, já sei! Motivacional – leio isto de bandada antes de dormir, faço umas meditações assim pro nice e depois fico bem tranquilo para o dia de amanhã. Deixa cá ler tudo do início…

«Quantas foram as vezes que (…) Deixa cá ler tudo do início.»

F*d*ass*, isto está um bocado doentio, pró intriguista.

Bem, também não posso escrever só textinhos a falar de amor, coragem e fé, como no Pudim Flan. (Já vos tinha falado da minha página do Pudim?) Está na hora de soltar a fera. Ainda bem que usei o Tiago Magalhães por aqui. Nunca saberão que sou é o João Sá, ou os dois.

Conclusão: Vou ter Roma e muito Oxes. Isso é certo. Agora, quando só o tempo o dirá.

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TIAGO MAGALHÃES, o Pudim Flan
A receita dele é simples: boa quantidade de amor, juntamente com doçura e um lado apimentado. A este preparado junta emoções, rebeldia, mas é calmo. Acompanhar esta receita ajuda, pois vai, de certeza, receber dela humor, brincadeiras, carinho e amizade. Descobriu a escrita ainda tenro. Percebeu que gosta de cozinhar, lentamente, palavras e sentimentos, não fosse ele cozinheiro de profissão. Tem 25 anos e o seu lado aventureiro já o levou a conhecer novos países e culturas.