Sussurra-me ao meu ouvido. Fala-me de sexo

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Fotografia © Anna Sastre | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Anna Sastre | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Vem. Deita-te a meu lado… Estou aqui deitado, do lado esquerdo da cama – vejo-te a despir lentamente, de costas. Aprecio as tuas costas nuas e os movimentos dos teus braços e pernas… Vem. Deita-te a meu lado…

Sussurra ao meu ouvido.

O amor já cá esta. Já emana pelos nossos corpos. Já sinto a tua energia – já absorvo o teu espírito. Já somos um.

Vem…

Deita-te ao meu lado…

Sussurra-me ao ouvido…

Fala-me de sexo.

O meu coração bombeia em fervor – sinto eletricidade a percorrer todo o meu corpo. Nas pontas dos dedos, sinto picadas ou tremores. É algo confuso, mas é o correto. Vem cá.

Já conheço o teu corpo e tu já conheces o meu. Vem! Vamos envolver-nos nos lençóis. Vamos dançar com eles.

O teu corpo já estava desnudado. E, por cima do teu ombro, olhaste para mim. Subi o canto da minha boca em provocação e tu coraste – ficaste sem jeito, e sorriste de volta. Dirigiste-te na minha direção enquanto apreciei o teu corpo. Só mesmo esse corpo me conseguia tirar a visão de todos os outros – é o corpo que eu amo, a energia que eu quero. O que me completa.

Vem…

E vieste.

Lentamente, colocaste um dos teus joelhos no colchão da cama e, com a outra perna, escondeste-te por baixo dos lençóis, comigo. O teu braço percorrera o meu peito e a tua mão, de súbito, tocara no meu rosto. Senti a tua respiração que subira pelo meu pescoço, arrepiando-me a pele e encrespando-me os pelos do braço. De seguida, a minha respiração tornara-se ofegante apenas com o teu toque.

Vá, amor, fala-me de sexo.

Senti o teu nariz tocar-me na orelha, enquanto que a tua língua percorrera o meu pescoço. Já não estava em mim. Perdi-me nos gestos. Tentei alcançar o teu corpo com as minhas mãos, mas as tuas mãos apertaram-me os punhos contra a cama, e colocaste-te em cima de mim. A tua boca dirigira-se até aos meus lábios e, finalmente, beijámo-nos. Um beijo que convertera toda a cumplicidade como se fosse o último dia – como se fossemos desaparecer amanhã, ao acordar.

Largara as minhas mãos, e abracei o teu corpo, enquanto que beijava a tua boca. Que lábios tão macios… Que perfeição…

Já falávamos de sexo.

Já trocávamos frases suaves, mas excitantes.

E cometemos o filho do pecado.

E veio o prazer.

E manteve-se o amor.

E falámos de sexo.

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CÉSAR DA SILVA, o independente
Gosta de gelados - muitos gelados! Diverte-se com pouco e cansa-se da rotina facilmente. Gosta de rir e, acima de tudo, de escrever. Sente aquilo que escreve e imagina tudo num mundo totalmente diferente, criado na sua própria mente. Tem 22 anos e sempre conquistou a sua independência. Adora boas séries e bons filmes. É viciado em entretenimento. Escreve aquilo que sente e gosta de dar asas à sua criatividade.