
Chegou à hora marcada… Vi-o ao longe, mas eu não estava lá. Saí de cena. Perdi a coragem. Fui parva, imatura. Tantas mensagens, hoje. Nos cinco minutos, em que ouvi a tua voz, desapareci.
A tua silhueta, vi-a “sair” da janela do café. Estava confusa, desorientada. Procurava por mim. Tocou uma vez, tocou uma segunda. Só consegui colocar o telemóvel no silêncio. Depois, gelei, tive que fugir dali.
Desculpa, mas não te consigo enfrentar, esclarecer tudo que eu te fiz. Não queiras que eu olhe nos teus olhos, agora, para dizer que te traí. No fundo, sei que errei. No fundo, dói. Do fundo não quero sair. Um erro, um beijo, mas tu não sabes. Assim que me vires, saberás. Porque não posso evitar amarrar mil vezes o cabelo, quando estou nervosa, ou tocar e mexer no queixo outras tantas.
Porque te traí? Sinto-me em duplicado e quem te traiu foi uma cópia deslocada de mim, sem nexo, sem enquadramento em nós. Quando e como te vou contar? Precisa de ser hoje. Caso contrário, não te vou conseguir esconder. Já estou de luto. Não sabes, não imaginas, mas já faço o luto por nós… Culpo-me a cada segundo que passa. Os minutos são engolidos pela crença do fracasso, da desilusão.
Fui carne fraca. Sacudo, assim, uma relação de quatro anos por um mero beijo. Um toque nuns novos lábios, que me fazem chorar pelos teus. Nunca é uma palavra forte. O mas também. Contudo, sei que as uso hoje: Nunca te deveria ter traído, mas eu não consegui evitar.
Chegaste, como sempre, à hora marcada… Vi-te ao longe, mas eu não fui capaz de estar lá.




