Aspetos do ténis na minha vida

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Fotografia © Filipe Serrote | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Filipe Serrote | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Sempre gostei de ténis desde muito cedo. Ficava ali no parque das Caldas da Rainha a admirar os jogadores naquele chão de terra batida. A desejar ser eu, um dia, ali a lançar bolas.

Na minha infância, não havia cá essas coisas de atividades extra curriculares, para ajudar à educação e desenvolvimento das crianças. A modalidade é cara e não havia dinheiro. Mas ficou aquele desejo do ténis, da equitação, da natação, da música. Queria aprender todas estas coisas.

Só já em adulta, perto dos 30 anos, depois de ter terminado os estudos, tirado a carta de condução e pago o carro, pude finalmente começar a investir nestas atividades. Assim que soube que havia aulas de ténis, na área onde estava a residir, não hesitei em me inscrever.

Era eu, meninos dos 6 aos 10 anos e uma colega minha que tinha muito mais capacidades que eu. Eu nunca tinha tocado numa raquete de ténis. E nem sequer imaginava a complexidade da modalidade. Parece fácil. Parecia fácil enquanto estava ali, naquele banco do parque, a imaginar que, um dia, poderia fazer aquilo.

Os primeiros tempos foram um verdadeiro desafio à paciência do professor e à minha perseverança. Ele dizia sempre que, na minha idade, não é fácil aprender algo novo. Temos vícios nos movimentos. Não nos libertamos tão facilmente como uma criança. E foi assim que demorei mais de um ano para soltar o braço. Um movimento básico e o mais simples do ténis. Claro que uma pessoa que nasce com talento ajuda. Mas também não era o meu caso.

E, ainda por cima, fui escolher aprender a jogar ténis, uma modalidade só por si bastante exigente a nível físico, técnico e tático. Há um sem fim de aspetos que me ultrapassavam. Diferentes tipos de campos, de bolas, de raquetes. As raquetes variam de tamanho, de cordas, tensão das cordas, dependendo do nosso peso e idade. E, depois, todos os aspectos que vão determinar o quão bom jogador podes ser. A tua rapidez, a forma como te movimentas em campo, as posições de espera, o teu serviço, a tua capacidade de resposta. Principalmente a tua capacidade de decisão a cada pancada, no que diz respeito à pega da raquete, se bates pela direita ou pela esquerda, se fazes back spin ou top spin, se dás uma pancada longa, mais curta ou mais alta, se fazes um smash ou um volley. Sempre com o objetivo de dificultar a vida ao adversário e marcar ponto. Há ainda o fator sorte, e esse não controlamos. Se a bola bate na rede, pode cair no nosso campo ou no campo do adversário, com grande probabilidade de ganharmos ponto. Ora bem, se tivermos sorte, temos de pedir desculpa ao adversário. Sabe-se lá porquê. Será porque o ponto não foi mérito nosso?

E a pontuação? Para entender a pontuação do ténis foi muito difícil. Ainda é. Ora bem, de forma resumida, um encontro de ténis é composto por 3 ou 5 sets, cada set é composto por 6 jogos e cada jogo é determinado por pontos que são equivalente a 15, 30 e 40. Certamente existe a explicação, que eu desconheço, porque é assim e não de 10 em 10 ou de 15 em 15. Claro que, depois, há ainda mais regras para o caso de empates nos pontos e nos jogos. Bastante complexo, não?

Gosto de ténis desde sempre. Não sei explicar porquê. É o único desporto que gosto de praticar. É exigente e, ao mesmo tempo, motivante. Obriga-me a querer ser melhor, a pensar, a tomar decisões, a ser rápida, a estar concentrada. Mas, com certeza, são aprendizagens que levo para a vida.

Muitas vezes, quis desistir. Muitas vezes, duvidei se era capaz de, algum dia, trocar duas bolas seguidas. Mas, hoje, embora não seja uma grande jogadora, ainda, posso dizer que já me divirto bastante a jogar. É a prova de que com paixão, perseverança e dedicação tudo se consegue.

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.