Os balões de Pedrinho

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Fotografia © Burak Kebapci | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Burak Kebapci | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Nessa manhã, Jorge estava em silêncio, mordaz, no quarto, mas o seu pensamento não. De repente:

— Olá! Quero brincar! — Surgiu Pedrinho a interpelar Jorge.

— Não posso! — Retorquiu Jorge à criança.

— Quero ver o Raul. Veste-te! — Abordou-o Pedrinho.

— Não, deixa-me. — Reagiu Jorge, suspirando.

Clara ia sair. Erguia a mala no ombro. Pegava nas chaves. Do corredor via o quarto. Aproximou-se, preocupada, e falou a Jorge:

— Com quem falas, amor? — Perguntou Clara.

— Conta-lhe… Os balões. — Interrompeu Pedrinho o pensamento de Jorge.

— Ninguém, Clara.

— Vou vestir-me. Vou passear. — Respondeu-lhe Jorge.

— Não vamos brincar? O Raul? — Dirigia-se novamente Pedrinho.

— Fico contente. Voltas a sair de casa, depois de tudo! — Clara sorria, tremia, queria chorar.

Clara saiu. A porta gemeu. Um adeus surgiu, voou. Jorge vestiu-se, engoliu a torrada, ajeitou a camisa, apertou os sapatos, saiu. A porta gemeu. Um adeus não voou.

— Sobe a rua! — Pedrinho estava elétrico.

Jorge ignorava Pedrinho, mas subia a rua de sua casa. Ao longe, avistava Raul na praça, onde enchia balões. Tinha múltiplas cores, rosto pintado, um nariz vermelho. Jorge dirigia-se a Raul. Este acenava-lhe.

— O Raul, os balões! Quero o cão. Posso? — Pedrinho estava excitado, mas Jorge não falava.

— Bom dia, senhor Jorge. Hoje, que balão vai escolher? — Sorria Raul. Como palhaço que era, sorria.

— Dá-me o cão, Raul. Hoje, quero o cão. — O “palhaço”, agitando, deu o balão. Jorge pagou.

— Tenha um bom dia, senhor Jorge! — Despedia-se Raul. Como palhaço que era, sorria.

— Obrigado, papá! — Agradecia Pedrinho, mas o pai ignorava.

Jorge caminhou, cruzou a praça. Entrou no cemitério. Saiu do cemitério. O balão-cão ficava na campa de Pedrinho. A criança sorria, mas Jorge chorava… Já não ignorava.

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TIAGO MAGALHÃES, o Pudim Flan
A receita dele é simples: boa quantidade de amor, juntamente com doçura e um lado apimentado. A este preparado junta emoções, rebeldia, mas é calmo. Acompanhar esta receita ajuda, pois vai, de certeza, receber dela humor, brincadeiras, carinho e amizade. Descobriu a escrita ainda tenro. Percebeu que gosta de cozinhar, lentamente, palavras e sentimentos, não fosse ele cozinheiro de profissão. Tem 25 anos e o seu lado aventureiro já o levou a conhecer novos países e culturas.