Quem sou eu, afinal?

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Fotografia © Andreia de Castro | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Hoje. Hoje acordei e a primeira pergunta que me surgiu foi: «Quem sou eu, afinal?» Já alguém dizia e muito bem: «Toda a alma tem uma face negra.» E eu não sou exceção.

Num breve resumo sucinto — no entanto, bastante claro e de auto reflexão — diria que «sou doce, como um Ferrero Rocher, o meu chocolate preferido que amo de paixão.» E a dúvida que surge, no momento seguinte, é: «E, na parte em que te mostras fria e distante e usas a deixa de que é a tua defesa, és o quê? Um doce amargo?»

A resposta é sim. Consigo ser doce, como mel, e fria e distante, como uma rocha perdida em pleno deserto. Faz parte da bagagem que carrego, da vida que levo comigo, dos momentos que vivi, das experiências, do ser em que me tornei depois de tudo e tanto. Sempre consciente de que não sou perfeita, não sou melhor que ninguém. Não sou, nem conseguirei ser aquilo que não me identifica.

Adapto-me a circunstâncias, a pessoas. Sou flexível ao respeito por cada um. Consigo ver o melhor em cada pessoa e saber que há um lado pior algures.

Prefiro mostrar o meu lado distante, de quem aguenta uma tempestade. Se alguém tiver de gostar de mim, gostará no meu pior. Depois disso, o melhor será sempre melhor. Gostando do lado negro, o meu lado leve, doce, verdadeiro, humano e sincero vai, com certeza, surpreender quem se quiser aproximar.

E ela diz enraivecida: «Mas que raio estás tu para aqui a dizer? Achas que as pessoas se deixam aproximar sendo tu rude?». E ela responde de forma serena: «Talvez sim, talvez não. Depende do que cada um quer ver por detrás de um sorriso rasgado ou de uma cara sisuda.»

E assim continuou ela o seu caminho. Sentia-se inspirada, pois o dia tinha começado com a pergunta mais intrigante dos últimos tempos e nem por isso ela a deixou em vão, sem resposta.

Sabem, ela adora praia, adora mar, adora o simples, adora o justo, adora o correto, adora o que preenche, adora ficar sem palavras, adora o beijo inesperado, adora o abraço que deixa sem ar, adora adorar, adora o sol, a lua, etc.

«Afinal, diz-lhe tu, como é ela?»

Ela é força. Ela é vida. Ela é sincera. Ela é honesta. Ela é defesa dos seus próprios sentimentos. Ela é amor (porque ainda acredita nele). Ela é aquilo que nem todos veem. Ela toca em quem se deixa tocar. Ela consegue dar o mundo. Ela consegue fazer muito mesmo por quem não merece nada. Ela chora. Ela é de riso fácil. Ela é de lágrima sentida. Ela sente tudo, mais do que devia. Ela perde-se em sonhos e deixou de se atirar de cabeça, sem capacete.

«Mas ela não vive num conto de fadas, onde tudo é bom e cor de rosa. Ela tem pés no chão! Que mais é ela?»

Ela é fria. Ela é rude. Ela descobriu que, de tanto sofrer, deve ter um escudo. Ela não se mostra. Ela é, para quem só a vê, um iceberg. Ela é dor. Ela é mágoa. Ela é história difícil. Ela é vida. Ela é um exemplo de coragem. Ela não gosta quando dói. Ela é orgulhosa. Ela é teimosa. Ela é de ideias fixas. Ela odeia injustiça, mentira e ingratidão.

Ela é tudo isto. Ela, que sou eu.

Em suma, somos, ou não somos, muito mais do que aquilo que parece? Somos, ou não somos, mais do que aquilo que se vê? Fazemos nós, ou não, diferença ao mundo?

Cada um do seu jeito. Todos com o mesmo fim: viver o melhor, fazer o bem, aprender a amar e a ser feliz. Respeito pelo outro procura-se!

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ANDREIA DE CASTRO, a princesa
Se fosse o seu pai, dir-nos-ia: «A Andreia é uma princesa... Só ainda não sabe que o é.» E, para ele, isto definiria tudo. Porque a Andreia é amor. Amor pelos outros, mas não tanto por ela própria. Porque a Andreia é família: vive para e por eles. Porque a Andreia é o sorriso, a lágrima, o vento, o sol, o silêncio, o mar e o céu sem limite. E, além de tudo disto, a Andreia é ainda solitária, viajada, artista, insegura, auto crítica, beijoqueira. É a princesa que o pai sempre quis ter. E que, até ao parto, esperavam que fosse um menino... Mas a Andreia, porque também é sentido de humor, enganou tudo e todos. E não se limitou a nascer menina. Nasceu princesa.