Merece a verdade, sempre!

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Fotografia © Xochi Romero | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Xochi Romero | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Gostava de saber por onde começar o que tenho por dizer sobre o tema «mentira». Mas, infelizmente, não sei. Terei, sim, de começar por algum lado. Portanto, aqui vai.

«Gostava tanto de estar contigo, mas hoje não vai dar mesmo», dizes tu. E, de sorriso na cara, porque pensas ter dito algo que me confortou, ainda rematas: «Talvez para a semana?», como se os dias passassem rápido e não existisse algo chamado sentimento e saudade.

A mentira existe. A mentira é utilizada por diversos motivos. Quem mente, mente. Não há outra forma de dizer que o faz ou fez. Tentamos todos não mentir — acredito. É possível que até seja verdade. Eu própria. Mas, muitas vezes, vemos a mentira como a forma mais fácil de dizer ou contar algo, ou de simplesmente esconder algo. Isso fazemos, sim. Não há como negar. Não existe o «ai, eu? Eu nunca menti.»

E chegas tu ao meu ouvido, depois da mentira ter sido descoberta, e dizes: «Desculpa. Eu não te queria perder, por isso não te contei a verdade!». Ou simplesmente: «Tive medo de te perder. Não queria discutir. Por isso, não te contei.»

E este é o momento em que, por breves segundos, te sentes a planar, sem chão por baixo dos pés. Mas logo a seguir descobrimos o tapete, que por acaso até voa, e saímos daquela situação para não a encarar naquele momento.

Peito. Sinto um aperto no peito. Não gosto quando dói, mas ainda assim continua a doer. Desta vez não foi porque eu errei. No entanto, a dor consegue ser a mesma, ou muito próxima da que costumo sentir.

Escrevo isto para que seja encarada a realidade. A única verdade é que a mentira existe. Todos, sem exceção, já a conhecemos de alguma forma.

Aquela que pesa. Aquela que nem peso tem. A recente. A de muitos anos atrás. Aquela que para alguém é significativa. Aquela que se tornou insignificante. A dolorosa. A que não causa dor. A que destrói por onde passa. A que não causa qualquer estrago. Aquela que entendemos e perdoamos. Aquela que é incompreensível e imperdoável. A que desfaz sonhos. A que acabou com a vida de alguém.

E podia continuar a tentar enumerar. No entanto, a mensagem é para ti, que sabes que a mentira existe. Evita-a. Usa-a nunca, ou o menos possível.

Ninguém a merece. Ninguém.

Por pior que te tenha feito. Por mais que te tenha magoado. Por mais que te tenha arrancado o coração do peito com as próprias mãos. Por mais mentiras que tenha dito a teu respeito. Por mais que seja feliz com a tua infelicidade.

Merece a verdade, sempre!

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ANDREIA DE CASTRO, a princesa
Se fosse o seu pai, dir-nos-ia: «A Andreia é uma princesa... Só ainda não sabe que o é.» E, para ele, isto definiria tudo. Porque a Andreia é amor. Amor pelos outros, mas não tanto por ela própria. Porque a Andreia é família: vive para e por eles. Porque a Andreia é o sorriso, a lágrima, o vento, o sol, o silêncio, o mar e o céu sem limite. E, além de tudo disto, a Andreia é ainda solitária, viajada, artista, insegura, auto crítica, beijoqueira. É a princesa que o pai sempre quis ter. E que, até ao parto, esperavam que fosse um menino... Mas a Andreia, porque também é sentido de humor, enganou tudo e todos. E não se limitou a nascer menina. Nasceu princesa.