Uma bela prenda de Natal

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Fotografia © Tim Mossholder | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Tim Mossholder | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Paz, alegria, solidariedade, reencontros… Assim o Natal acontece, envolvido em amor, afetos, aconchego! Os corações têm mais saudades, pois não podem abraçar os que estão longe. Os corações anseiam pela noite sem igual, repleta de magia que ilumina a vida, que embala os sonhos e, numa doce promessa, cria a ilusão do cumprir de tantos desejos! Todos se preparam. Nada se pode esquecer. Nada pode faltar!

Escrevi aquela carta… Era tão somente o que poderia fazer! A resposta veio. Foi trazida por um mensageiro de amor. Foi entregue entre beijos e carinhos: «O Comandante não tem coragem para te responder. Não pode permitir. Não é possível.» Ficámos unidos num abraço sem fim. Esperávamos que a mágoa se diluísse. Seria o nosso primeiro Natal!

Mais uma vez, a dureza de uma rigorosa disciplina nos separava.

Veio o primo amigo, qual irmão querido. Também ele recém-casado. Também ele só! Assim, unidos na nossa solidão, caminhávamos pela cidade, querendo que esta fosse uma noite igual a tantas outras. Apenas procurávamos onde nos fosse servida uma refeição. As luzes brilhavam, cheias de cor, como que querendo alertar-nos… A cidade parecia adormecida. Ruas desertas. Todas as portas fechadas. O silêncio era “ensurdecedor”. Apenas as nossas vozes. Como que éramos dois fantasmas deambulando!

Talvez, na marginal, sempre tão cheia de vida, sempre tão alegre e colorida. Começámos a percorrê-la. Acabámos sentados no passeio! Agora, tínhamos por companhia o mar sereno, tranquilo. Olhávamos o céu, onde cintilavam inúmeras estrelas. Recordámos aquela estrela que outrora fora guia, que trouxera a luz de uma nova esperança!

Ali, sentados, corações unidos na solidão de cada um deles, recordámos que nasceu Jesus. Como foi tão diferente! Como, afinal, foi tão belo, tão docemente vivido, tão íntimo. Como foi tão inesquecível! Afinal, a “magia” do Natal aconteceu. No nosso “sapatinho” ficou o mais belo presente que poderíamos desejar…

Quando tudo parece desmoronar-se, surgem as forças. A vida mostra-nos que há sempre uma saída onde se encontram as oportunidades. Só temos que aprender a valorizar o que é positivo e nos ajuda a seguir em frente.

Um novo dia nasceu e, com ele, um novo passeio. A tarde foi passada naquela Casa de Reclusão, entre risos e alegria. Foi divertida, e porque não? Não podíamos permitir que esta nuvem passageira escurecesse a luz que, agora, brilhava nas nossas vidas! Acabávamos de descobrir a oportunidade. Iríamos transformar o que parecia um pesadelo numa saborosa aventura!

Na realidade, os “milagres” acontecem… Só precisamos de acreditar em nós!

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MARIA REIS, a avó-sorrisos
Ela não é uma mulher rica. É, sim, uma rica mulher! É dona de um coração generoso, que já ultrapassou sofrimentos, mas também sabe muito sobre o amor. É sonhadora: os sonhos estão sempre lá e o seu percurso de vida foi-se construindo com a realização de muitos deles. Desafios? Sim, aceita-os com determinação e entusiasmo. E, como alguém disse, «às vezes, é uma caixinha de surpresas».