A Disneyland não é só para crianças

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Fotografia © Carina Maurício | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Carina Maurício | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

A Disneyland não é só para crianças, mas eu pensava, erradamente, que sim. Admito que ponderei muito antes de vir. Perguntei a opinião a muitas pessoas. Se houve quem me dissesse que Paris tinha coisas bem mais interessantes para fazer, houve também opiniões de que vir a Paris e não ir à Disneyland não é a mesma coisa. Houve ainda quem referiu que é gira, mas sozinha ia ser um pouco triste. E sabem que mais? Ainda bem que vim. Não é nada daquilo que imaginava: que, por ser adulta, não ia gostar ou apreciar.

É muito cara, sim. Mas vale cada cêntimo gasto. Por tudo. E estar sozinha implicou menos tempo nas filas, porque fui para filas mais pequenas preencher espaços vagos. E não me deixei de divertir por isso. Além de que, sozinho, escolhes o que queres ver e ao teu ritmo. Tem as suas vantagens.

A Disneyland não é só o Mickey e a Minnie. É o Pato Donald e o Pateta, o Peter Pan, a Sininho e companhia, a Bela Adormecida, o Tico e o Teco, a Cinderela, o Timon e o Pumba, a Branca de Neve e os Sete Anões, o Pinóquio, a Mary Poppins, a Alice no País das Maravilhas e todos os seus companheiros, a Cinderela, todas as personagens do Toy Story, o Pirata das Caraíbas, o Dumbo, a Bela e o Montro, o Winnie the Pooh… E muitos mais ficam por mencionar. São todas as personagens, mas também os cenários incríveis, o guarda-roupa de sonho, os efeitos sonoros e visuais. Nada é deixado ao acaso. Tudo é realizado ao pormenor. E, em muitos momentos, senti-me parte da história. Como se tivesse deixado de ser a pessoa, em frente à televisão, para dar lugar a uma personagem qualquer na Disney. Esqueci-me que era adulta e voltei a ter alma de criança.

Não consigo imaginar o trabalho e a gestão que um lugar como este envolve. As pessoas que aqui trabalham devem sentir orgulho por cada sorriso no rosto das crianças. «Ah e tal o que fazes da vida?» «Sou o Mickey.» Imagina só o que é ser uma personagem da Disney, desejada pelas crianças a cada dia. Numa vida de sonho, num mundo paralelo à realidade que nos assombra nos dias de hoje, em que não existe maldade.

A Disney não são só carroceis, filmes de princesas, cenários idílicos. A grande loucura da Disney são os carros, comboios ou outra coisa qualquer que anda sobre carris, a altas velocidades, de trás para a frente, de frente para trás, de cabeça para cima ou para baixo, em looping e sei lá mais o quê. E para isto eu não estava preparada. A única coisa deste tipo, em que me tinha aventurado, foi o canguru numa feira popular. Nada a ver. E se, neste dito canguru, fiquei rouca de gritar, imaginem a minha voz agora. E se um circuito destes pode ser tão rápido, como um minuto, ou menos, são 60 segundos de gritos, são 60 as vezes em que pensei que ia morrer. O estômago sai do sítio, aliás os órgãos todos. E, se por um lado expulsas energia de tanto gritar, por outro acumulas tensão nos músculos de medo. E fiquei super mal disposta com uma experiência 3D do Ratatouille. Em que se usa uns óculos especiais, e tanto as pessoas como as imagens estão em movimento. E, se antes estava com quebras de tensão, depois fiquei mal disposta por ter comido. O desafio é gerir o dilema entre comer ou não comer. Arriscar a vomitar no looping seguinte, ou desmaiar a qualquer instante, devido a quebras de tensão. Decidi comer e tomar um comprimido para os enjoos. E continuei nesta adrenalina entre o achar que vou morrer e o sentir-me viva, por sentir coisas que jamais senti em toda a minha vida. E sentes esta dualidade de querer sair dali, porque não controlas nada, e de querer repetir quando chegas ao fim. Porque aquilo passa num instante e a adrenalina que se sente é incrível.

O ponto alto da Disney é a parada ao final do dia, em que desfilam todas as personagens, com carros alegóricos, a dançar ao som de música. E este momento é lindo. Estive com um sorriso no rosto do início ao fim. É, simplesmente, mágico.

Não sei como é a Disney o resto do ano, mas nesta época natalícia está linda. E as lojas são uma verdadeira tentação. Apetece comprar tudo.

Estou no comboio de regresso a Paris, com um sorriso parvo no rosto. Ainda meio anestesiada da adrenalina. Ainda meio a sonhar com um mundo encantado. Foi muita emoção para um só dia. Adorei e quero mais. Quero voltar e por mais tempo. Porque um dia é insuficiente para aproveitar tudo. Obviamente, tive que selecionar o que ver e viver. E acho que toda a gente, uma vez na vida, devia ir à Disney.

E, atenção, não me pagaram para fazer publicidade. Porque não é preciso.

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.