Venham mais 500, sff!

2024

Parece que foi ontem que esta plataforma nasceu e que os seus primeiros textos apareceram à frente dos meus olhos. Lembro-me da emoção que senti perante os primeiros. Lembro-me de sentir um enorme orgulho por cada um deles. Por poder estar deste lado. Por poder partilhá-los com o mundo através de uma plataforma que, embora feita de todos e para todos, tinha sido criada por mim.

Passaram mais de sete meses e, hoje, sai para o ar o 500º texto desta plataforma, que, para mim, aos meus olhos, mesmo que acabasse já hoje, seria sempre uma plataforma gigante e bem sucedida: pelas dezenas de pessoas que aqui deixaram o seu contributo, a sua criatividade, as suas emoções e até a sua vida; pela imensa partilha que houve e que vai além dos textos publicados, que também está nas conversas diárias que temos uns com os outros. Foram cinco centenas de textos feitos de histórias, de emoções, de partilhas, de lágrimas, de sorrisos, de conquistas, de revelações inesperadas, de sonhos que fizeram sonhar. Quinhentos textos de tudo — atrevo-me a afirmar.

Lembro-me sempre dos primeiros. Vieram em pezinhos de lã. Não sabiam ainda, alguns, ao que sabia esta partilha de peito aberto, que é escrever para os outros e deixar parte de nós exposta, assim, para sempre, num cantinho público da internet. Não sabiam sobre o que escrever, que temas poderiam interessar, quais os seus pontos fortes e também os fracos, que os há sempre. Às vezes, as mensagens privadas piscavam: «Laura, estás aí? Tenho aqui uma dúvida num texto que estou a escrever. Não sei como fica melhor. Podes dar a tua opinião?» E ficávamos ali, às voltas com as palavras, à procura da melhor maneira de transmitir uma ideia, de terminar uma história.

Com o tempo, muitos destes textos se tornaram cada vez melhores. Foi-se criando o hábito da escrita. Foi-se ganhando mais autoconfiança. Os elogios começaram a surgir de todos os lados. Uns a incentivarem os outros. Foi-se educando a criatividade. Às vezes, no nosso chat de grupo, lia: «Agora, que comecei a escrever, é engraçado que vou, ao longo do dia, estando com mais atenção aos pormenores, às conversas, aos detalhes, à procura de inspiração.» Passo após passo, alguns destes textos tornaram-se mais confiantes, guerreiros, frontais, reivindicadores, atrevidos, sensuais, ousados. Quem estava protegido na sua concha, habituado a escrever apenas num registo, foi desafiado a arriscar outros. E brilhou. Todos começaram a brilhar ainda mais. Às vezes, de fora, diziam-me: «Eu gostava de participar, mas os textos são tão bons que eu não sei se estarei à altura.» A evolução era visível. Para todos. Para quem nos lia, para mim, para quem escrevia. «Malta, é impressão minha ou os textos estão cada vez melhores?», perguntavam. E todos concordavam. Porque era verdade.

Hoje, 7 meses e uma semana depois da plataforma Desafio-te estar no ar, de ter sido publicado o primeiro texto, concedo-me o prazer de escrever o 500º texto deste enorme desafio. Um 500º texto sobre nós, para vocês, claro.

Obrigada a todos pela partilha, pela confiança que depositaram neste projeto, em mim, pela leitura, pela companhia!

E, para quem quiser recordar, aqui fica o texto que encetou esta aventura, escrito pela Beatriz Rodrigues da Branca e que vem mesmo a propósito. Porque uma vida a fazer o que gostamos — a escrever, a comunicar, a partilhar — sabe tão, mas tão melhor:

«Estende os teus horizontes. De que serve não levares uma vida de que gostes?»

Parabéns a todos! Obrigada a todos!

E venham mais 500, s.f.f.! 🙂

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LAURA ALMEIDA AZEVEDO, a desafiadora
37 anos. Uma dose saudável de loucura. Gosto por tudo o que é novo, diferente, ousado, criativo. Apaixonada por palavras, desenho e comunicação. Licenciada em Jornalismo. Designer gráfico, ilustradora e autora do livro e do blogue «Apetece(s)-me». Incapaz de viver sem a luz do sol, mas completamente rendida ao silêncio da madrugada. Viciada em música, chocolates e varandas. Fascinada por cidades, pessoas e emoções. Nunca diz que não a uma discussão construtiva: afinal, é a conversar que as pessoas se entendem. Em miúda, o seu jogo preferido era o Jogo da Verdade.