Hoje, não sinto nada

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Fotografia © Marco De Waal | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Marco De Waal | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Hoje, não sinto nada.

Se há dias em que sinto muito, hoje não sinto nada. É como se o meu coração tivesse parado de bater, como se estivesse gelado que nem um iceberg e duro que nem uma rocha.

Hoje, não sinto nada.

Hoje, não me sinto apaixonada. Hoje, não quero ninguém na minha vida. Hoje, não sinto saudades de casa. É como se esse lugar já não existisse. Hoje, não me importa aqueles que me abandonaram, nem fico triste pelas desilusões que outrora senti. Hoje, é como se a minha alma estivesse desconectada do corpo, como se não pertencesse a este mundo.

Hoje, nada importa. Não importa o que já sorri e o que já chorei, o quanto já sofri e o quanto já fui feliz. Não me importa o passado, o presente e tão-pouco o futuro.

Hoje, seria indiferente que me deixasse afogar nestas águas geladas e profundas. Porque, hoje, sinto-me vazia. Vazia de emoções, de sentimentos, de dor, de lágrimas para chorar. É como se as recordações que tenho não me pertencessem.

Mas sei que hoje, e apenas hoje, me sinto assim. Porque amanhã, quando acordar, sei que foi apenas mais um dia triste. Porque, dentro de mim, há sempre uma voz que me diz: «Dorme. Amanhã, quando acordares, saberás que foi um pesadelo. Voltarás a dar significado à tua vida.»

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.