Era uma vez…

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Fotografia © fendrihan | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © fendrihan | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Era uma vez uma esponja.

Uma esponja completamente assimétrica. Sem cor. Sem vida. Desestruturada por natureza. O bom dessa esponja é que, mesmo sendo triturada e passada por uma peneira, de modo a separar as suas células, estas podem reagrupar-se e formar novamente uma esponja em tudo semelhante à original.

Assim é essa esponja. Sempre foi uma «esponja» só — não diria triste, mas alheada de tudo e muito no seu mundinho. Onde uma bola de futebol lhe colocava um verdadeiro sorriso nos lábios. A capacidade de se abstrair do mundo era instantânea. A música é outra das suas paixões e acaba por lhe trazer o sossego que tanto lhe é benéfico.

A esponja tem sido maltratada anos a fio, reagrupou-se vezes sem conta, mas de todas as vezes as células vão-se unindo e formam uma nova esponja em tudo semelhante à original.

Só que a esponja está cada vez mais frágil.

Só que a esponja tem pouca vontade de se reagrupar.

Só que a esponja, bem, a esponja cansou-se.

Uma das grandes falhas de reconstrução da esponja foi o coração… É complicado amar quando o coração ficou de fora da reconstrução. É complicado ter tanto para dar e nada conseguir oferecer.

É tão fácil deixar sair as palavras… mas torna-se difícil abrir o coração.

A esponja só queria que a ouvissem.

A esponja só queria que a soubessem ler.

A esponja só quer amar.

A esponja, bem…

Era uma vez uma esponja.

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NUNO CORREIA, o desportista
Tem 36 anos. Nasceu em Coimbra. É um apaixonado pelo desporto e pelo ar livre. Descobriu o gosto pela escrita no dia em que deixou de acreditar no amor... Ou, aqui entre nós, talvez não.