
Quero encontrar-te no fim do meu desespero.
Junto à rua que nunca atravesso.
Ao pé da esquina que de longe contemplo.
Encontrar-te e que sejas novo.
Não te vejo pelos tique-taques do relógio.
Vejo-te pelo fulgor que te arde por dentro.
Encontrar-te e saber que me esperas.
Que ainda nada te tocou. Que ainda és um pedaço inteiro de ti.
Que ainda esperas que a vida o seja.
Quero encontrar-te depois do mal.
Depois de todas as dores.
Quando o fio do céu que sustém o meu corpo se romper.
Antes da minha alma se elevar.
Ver-te no último momento,
E saber que o meu tormento acabou.
Ver-te depois de tudo,
E saber que que o início começa assim.
Sou o teu tiro de partida.
És a mão que me chama.




