Depois do fim, o início

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Fotografia © Scott Webb | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Scott Webb | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Quero encontrar-te no fim do meu desespero.
Junto à rua que nunca atravesso.
Ao pé da esquina que de longe contemplo.
Encontrar-te e que sejas novo.
Não te vejo pelos tique-taques do relógio.
Vejo-te pelo fulgor que te arde por dentro.
Encontrar-te e saber que me esperas.
Que ainda nada te tocou. Que ainda és um pedaço inteiro de ti.
Que ainda esperas que a vida o seja.
Quero encontrar-te depois do mal.
Depois de todas as dores.
Quando o fio do céu que sustém o meu corpo se romper.
Antes da minha alma se elevar.
Ver-te no último momento,
E saber que o meu tormento acabou.
Ver-te depois de tudo,
E saber que que o início começa assim.

Sou o teu tiro de partida.
És a mão que me chama.

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CAROLINA PAIVA, a alma inquieta
Tenho estórias em mim. Se as vivi? Todas tenho que escrever. Não me pertencem, mas sinto-as minhas. Como quem as viveu. Como quem as sofreu. Como quem as sorriu. Ao desenhar as letras, fogem-me. São agora do mundo, do fundo dos corações maiores. Alguéns mais tristes e mais felizes que eu.