Daqui, ela podia ser tudo

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Fotografia © Cesar Quintero | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Cesar Quintero | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Daqui de cima

Daqui, ela podia ser tudo, podia sentir-se maior, mas a sua fragilidade não permite.

Os pés descalços sobre a pedra são a única coisa que a faz sentir viva, são a única maneira que ela encontrou de se agarrar ao chão. Ela está aqui em cima, mas só queria estar lá em baixo, fazer parte da confusão, ser uma delas. Só queria ser aceite, ser útil.

No fundo, só procura o amor que vê nos outros, só procura ter os motivos que eles têm para continuar a sorrir. Cá de cima, ela é pequena, não tem força nem motivo.

Daqui de cima, ela decidiu desistir, decidiu ser forte só por um instante. No fundo, ganhou forças para desistir. Daqui de cima, ela deu um passo em frente, descolou os pés da pedra e foi ter com eles. Ficou mais perto das luzes, das pessoas e dos carros.

Daqui, ela decidiu deixar de viver.

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RITA GONÇALVES, a filósofa
25 anos. Mais 5 do que 20. Formada em Filosofia pós-graduada em Marketing e Comunicação Digital. A sua formação é tão distinta como os seus talentos. É muito mais sentir do que ser, uma Balança numa constante procura pelo equilíbrio. Tem no silêncio a sua melhor arma contra a ignorância do mundo. Tem nas palavras escritas a chave para a sua melhor expressão. Tanto prefere o sol, o mar e alguém para amar, como o inverno, a lareira e um chocolate à cabeceira. A Rita é mistério, pensamento e amor.