
Aqui, na incerteza daquilo que sou,
Perdem-se os meus olhos naquilo que é.
Nas ruas que descubro todos os dias.
No tão pouco que sei sobre a cidade.
Que nos agita e nos desgasta.
Que nos acorda e nos excita.
Salvo-me um bocadinho, aqui.
Posso respirar mais fundo.
O tempo corre mais devagar.
Vai-se expirando ao meu ritmo.
Nestes minutos meus,
Partilhados com as vidas nas casas.
Sem saberem,
Acalmam-me o dia.
Assalta-me o pensamento do tanto que está por descobrir.
E tão pouco dedicamos ao que não sabemos.
Deixamos que o tempo abuse de nós,
Que o ponteiro impeça os nossos movimentos.
Aqui, paro.
Convido estas casas a pararem.
A serem simplesmente quem são.
Sem constrangimentos nem restrições.
Casas com gente dentro.
Gente com alma e com calma pelo caminho.




